A temperatura, a posição...
A hora, o dia...
A roupa, o sono.
Tudo (ou quase tudo) que se passa nas cabeças e nas vidas de uma mãe e um pai de primeiríssima viagem.


Achei aquela conversa tão engraçada e a
linha de raciocínio tão interessante pra uma criança tão pequena... Mas eu não
queria deixar Luna com “informações erradas”. Disse que o papai não estava
tomando banho, que ele estava deitado ao seu lado. Ela olhou pra ele e passou a
mão em seu rosto. Eu expliquei que aquele barulho era de chuva. “Uta?” “Sim,
filha, chuva, lá fora.” Luna terá que ficar atrás das grades por um tempo, um bom tempo.
O quê?! Como assim?!
A questão é: minha mocinha aprendeu a subir escadas faz umas semanas e esta parte da casa a atrai tanto que quer subir e descer (mais subir) os degraus a todo instante. Antes a gente a deixava no “cercadão” – as grandes almofadas do sofá ficavam em volta do tapete da sala - e ela ficava tranqüila lá dentro brincando.
Mas agora Luna quer mais, muito mais! Quer explorar a casa toda e aprendeu a empurrar a almofada de cima e a passar por cima da de baixo. Ãhn? E o primeiro lugar pra onde ela se dirige – até porque é o mais perto de onde está – é a escada. Nossa escada é de granito o que a torna “mais dura” do que uma de madeira, por exemplo. E tenho pavor de pensar na minha gordinha quebrando seus únicos dois dentinhos ou sei lá o que.
Outra coisa, não temos porta da sala pra cozinha – amém – o que implica um pequeno temor de certa neném escapulir de nossas vistas por 1 segundo e queimar as mãos no forno (pouco usado, mas ainda assim perigoso).
E mais uma vez minha amada tia e comadre nos presenteou com um acessário indispensável pra casa: os portõeszinhos que usava quando ainda não tinha total tranqüilidade de deixar Guga subir as escadas sozinho.
Mas ainda está faltando um desses pro andar de cima, que tem uma largura maior do que a parte de baixo da escada e portanto exige um portão mais largo, ou com extensor. Chegamos a ir no Telha Norte e compramos um modelo com grades a mais nas laterais, pra Luninha não querer dar uma de fugitiva e escapar. Mas não serviu, os parafusos são pequenos e não alcançam as paredes. Eita!
E agora, além de assistirmos Discovery Kids na maior parte do tempo enquanto estamos em casa, ter brinquedos espalhados pela sala, panelas no fogão com água fervida e mamadeiras esterelizadas, entre outras 47.556.895 coisas, vamos continuar adaptando a casa ao serzinho pelo qual temos total responsabilidade e amor.
A cada dia que passa Luna fica mais engraçadinha, tipo em progressão geométrica. E aprende coisas novas o tempo todo. E isso a torna a macaquinha amestrada da família pois é claro que todo mundo fica pedindo que ela faça isso ou aquilo o tempo todo.
Por exemplo, meu pai passou creme hidratante na mão e cheirou, dizendo: "Nossa, que cheiro gostoso!". Aproximou sua mão do rosto da minha mãe e ela também cheirou, repetindo mais ou menos a mesma frase. Ele estava com Luna no colo e, quando colocou a mão próxima ao rosto dela, ela inclinou levemente seu corpinho pra frente e encostou o nariz na palma de sua mão.
Na casa deles também fica um cachorro de brinquedo com uma espécie de ábaco na parte de cima; um arco com as pecinhas coloridas para o bebê mexer. E Luna começou a pacientemente passar as pecinhas, uma por uma, de um lado a outro do arco. Ela faz uma pinça com seus pequenos dedos gordinho e pega cada pecinha na pontinha, levando-a pro lado oposto de onde ela se encontrava. Quando acaba, faz tudo de novo, pro outro lado.
Há meses Luna se tornou uma beijoqueira assumida. É só pedir um beijo que ela solta um no ar, bem estalado, com a boca aberta mostrando seus dentões de coelhinha. Mas Dona Otília - avó paterna - começou a ensiná-la a dar beijo na bochecha; Luna encostava os lábios no rosto da avó e mandava aquele beijo barulhento. Comigo isso nunca deu certo. Depois de algumas semanas, comecei a pedir esse beijo "avançado", apontando o dedo indicador na bochecha e esperando a reação dela. Não é sempre que ela está com vontade, mas quando está ela me dá um beijão de boca aberta, sem barulho, sem nada, mais uma babada na bochecha. Mas é uma delícia, cheio de afeto.
Aos anos cinco de idade Silvio ganhou de seu tio – irmão de sua mãe, que também chamava Silvio - um pequeno cachorro de pelúcia. Como tinha paixão pelo tio, guardou com carinho o bichinho durante todos esses anos. E hoje o pequeno passou de pai pra filha. Antes o peludo ficava na estante de brinquedos, no quarto dela. Depois de uma crise alérgica e uma consulta com um pediatra alergologista – que proibiu pelúcias expostos pela casa -, o animal indefeso foi parar dentro do armário, quase esquecido. Um belo dia resolvi tirá-lo dali e deixá-lo na caixa de brinquedos da Luna, na sala. E em todos os momentos de brincadeiras, eu e Silvio sempre pegamos o cachorrinho pra entrar na brincadeira, apresentando-o á pequena: Filha, olha o cachorrinho, como ele faz? Au au!
E não é que ela aprendeu?! Sempre que Luna vê um cachorro na rua ou na casa de alguém, ela olha encantada e trata logo de cumprimentá-lo: Au au. Na verdade sai um “Auá”, mas é porque ela tem um estilo personalizado de conversar com os bichos.
E a mais recente descoberta: sabem quando a gente passa os dedos pelos lábios, um por um, começando pelo mindinho, de cima pra baixo, fazendo um barulho engraçado como se estivéssemos os tocando igual a um instrumento? Brincando com Luna desse jeito hoje de manhã, ela tira a chupeta e começa a nos imitar. E no carro, a caminho da escola, a mesma coisa.
Cada conquista, cada descoberta do mundo e de seu próprio corpo é tão cheia de significados! Os bebês nos encantam também por isso, nos fazem lembrar as pequenas coisas da vida. Luna me ensina a cada dia a importância da paciência e do amor; me ensina o valor que tem a “simples” descoberta de encaixar um brinquedo no outro, de experimentar um sabor novo, de falar – e repetir e repetir - uma sílaba que era desconhecida.