Estamos passando a semana na casa da minha sogra. Silvio está fazendo um job no Jaraguá e o tempo até a empresa é, pelo menos, 6 vezes menor indo de Perus do que da Guilhermina.
Não tenho dificuldade em ir trabalhar, apenas tive que mudar o meio de transporte, de metrô para trem. Como o povo lá tem vasta experiência sobre este assunto, me orientaram que, a cada 20 minutos, passa um trem vazio; vazio a ponto de ir sentada! E como a "viagem" demora uns 35 minutos, nada melhor, né?!
O caminho de volta também tem seu truque: na Barra Funda, pegar sentido contrário, em direção à Luz. Tenho que ficar de pé neste trajeto, mas na Luz, o povo desce, consigo tranquilamente sentar, uma vez que já estou dentro do vagão e... É o mesmo trem que volta pra Barra Funda!!!
Passar uma semana pegando trenzão e ir olhando pro teto, não dá. Então resolvi arranjar alguma coisa pra ler. Na terça-feira de manhã vi uma prateleira de livros numa loja de conveniência de um posto de gasolina perto do trabalho. Nunca dei muita credibilidade pra este tipo de produto, talvez por preconceito, achando que livro bom mesmo fica em livraria, não em posto de gasolina. Mas neste lugar, um dos livros era "A menina que roubava livros", de Markus Zusak. Livro LINDO que li em 2009. Resolvi dar uma olhada, vai que...
Deparei-me com "A espiritualidade e os bebês", livro espírita de bolso, psicografado por Maria Nazareth Dória. "É um livro destinado a mostrar que, além da matéria, existe também o amor maior do plano espiritual, amigos do outro lado da vida acompanhando e torcendo pelo sucesso de uma nova jornada que se inicia. É um livro que acaricia o coração de todos os bebês, papais e mamães, sejam eles de primeira viagem ou não, e ilumina os caminhos de cada um rumo à evolução espiritual para o progresso de todos."
Acho fundamental a relação entre mãe, bebê e espiritualidade e, desde que Luna nasceu, fui pelo caminho contrário, deixando a rotina me afastar de questões tão importantes pra nossa ligação.
E aí que estou eu, no trem, lendo meu livro, e senta ao meu lado uma mulher de meia-idade. Percebo que ela começa a reparar no que está em minhas mãos, virando a cabeça constantemente para tentar ler o que está na capa do livro. Lá pelas tantas, ela me cutuca e pergunta o título da obra, pois viu que a foto da capa era uma mãe e um bebê.
Informações passadas, ela me explica o motivo da curiosidade. Sua sobrinha-neta de 18 anos é mãe de uma bebê de 6 meses. Porém, a relação dela com a filha era muito ruim; a menina alegava não ter paciência alguma com a bebê, e chegou a quebrar a madeira do berço com um soco em um momento de choro da filha. A mulher me contou que quem criava a pequena era praticamente ela e a avó; me contou que era espírita e queria saber um pouco mais sobre a relação da doutrina com os bebês.
Expliquei pra ela que, justamente neste livro, li que muitas vezes uma mulher serve apenas como instrumento pra trazer um novo espírito à Terra, mas que quem estava destinado a dar amor e cuidar daquele pequeno ser, eram outras pessoas. A autora diz que, antes daquele espírito encarnar, ele e "todos" que estarão envolvidos com ele na sua chegada se encontram no plano espiritual para se conhecerem. Acredito que este seja o caso dela.
Mas mesmo assim sabe? O amor que sinto pela Luna não me deixa "entender" o que é isso, o que é uma mãe não amar seu bebê, não sentir no fundo da sua alma que ele é a coisa mais importante da sua vida, não querer voltar correndo do trabalho - ou de onde quer que esteja - pra abraçá-lo, vê-lo sorrir, sentir seu cheiro...
O espiritismo pode explicar muita coisa, mas conseguir "entender na pele" é muito diferente...
Tudo (ou quase tudo) que se passa nas cabeças e nas vidas de uma mãe e um pai de primeiríssima viagem.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Falatório
Existem diversas maneiras de um bebê se comunicar, refiro-me aos que já estão na “idade” da Luna, com quase 5 meses. Eles choram, gritam, riem, sorriem, gargalham, balbuciam, mexem o corpo, as mãos, os olhos... e falam!
É claro que não é uma linguagem possível de ser entendida pelo mundo dos adultos. É um falar muito especial, muito particular de cada bebê. E Luna se supera a ca-da di-a! Não tem hora nem lugar pra acontecer, ela dispara a falar e não sabemos quando vai parar.
Esta noite foi assim: acordou, trocamos a fralda, mamou, tomou remédio e foi pro berço; chupeta, carinho, beijinho; luz apagada e fui deitar. Não demorou 5 minutos pra ela começar com seu falatório, acredito que ela conversava com as mãos. O tom mudava a cada par de frases, uma hora mais calmo, como se contasse uma história, em seguida mais enérgico, como se suas mãos a tivessem contrariado em algum ponto do discurso.
Novamente esqueci-me de registrar, a máquina estava no andar de baixo e confesso que nem pensei em pegá-la. Ficamos ali deitados, eu e Sil, na esperança que ela cansasse e resolvesse dormir, mas ao mesmo tempo rindo a cada novo “assunto”.
Isso era perto das 4 da manhã, como eu acordaria uma hora depois pra ir trabalhar, resolvi pegar a pequena pra dormir comigo, porque cama de mãe e pai sempre dá uma acalmada. Batata! Poucos minutinhos depois dormimos todos, imaginando como será essa pequena quando aprender a linguagem doa adultos...
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Hora de descer
Luna cresce a cada dia que passa. Crescer, engorda e fica cada vez mais linda e esperta.
Mas tudo isso têm conseqüências...
Ela começou a se virar bastante; ainda não totalmente, mas gira para um lado, gira para o outro, dorme no sofá de um jeito e acorda de outro.
Junto com os cuidados médicos dos últimos dias veio a orientação de que respira-se melhor se o travesseiro ou encosto estiver inclinado. Portanto colocamos almofadas debaixo do colchão da pequena pra que ela fique mais pra cima, inclinadinha.
Se somar as informações do primeiro com o segundo parágrafo deste post, o risco de queda de um berço regulado na altura máxima é iminente. Portanto decidimos baixar um nível do estrado do bercinho de Luna.
Mais um sinal de quão mocinha a tchutchuca está ficando e eu sempre cheia de orgulho dela...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Tudo junto e misturado
Minha vida nunca foi difícil, realmente não posso reclamar de nada, sempre tive muita ajuda e muito amor da família e de amigos. E isso tudo se intensificou demais desde que Luna apareceu por aqui. Muita gente presente, dando carinho, apoio, ajudando emocional e financeiramente.
Em contra partida, tenho que dar conta do furacão de coisas que acontecem todas de uma vez, com uma intensidade incrível!
Sempre digo que o processo “natural” de independência do ser humano é:
1) Morar com os pais
2) Morar sozinho ou com amigos
3) Morar com cônjuge
4) Ter filho
Eu, muito apressadinha, passei por todas as etapas (ou quase todas) em 15 dias. Dei conta e ficou tudo ótimo!
Alguns meses depois, outro furacão: meu primeiro dia no trabalho novo foi o primeiro dia de Luna na escola. Socorro! A semana anterior e a semana em questão foram intensas, muita coisa pra fazer, muita informação pra absorver e um coração apertado o tempo todo.
E agora o mix mais recente: Luna completou quatro meses na sexta-feira passada, e como havia sido planejado, ela passou a dormir no berço – antes dormia no carrinho, no nosso quarto, por conta do maior risco de engasgo. O período de adaptação não está sendo muito tranqüilo, acho que ela tem “estranhado” um pouco o espaço do berço, o colchão e sei lá mais o que. Luna às vezes acorda chorando-gritando, precisamos levantar, colocar a chupeta, fazer um carinho e ela volta a dormir, sem sabermos por mais quanto tempo.
Mais ou menos nesse dia o tempo mudou de uma maneira drástica, uma frente fria de bater os dentes; resultado: um nariz congestionado o dia todo e principalmente a noite toda, fazendo Luna acordar mais de uma vez sem conseguir respirar direito pelo nariz.
O tempo também me afetou: na sexta-feira fiquei rouca e só voltei a falar melhor no domingo de manhã. Como brincar e cantar pra Luna com voz de travesti? A garganta dói forçando sair e voz e nada é entendido. Complicado...
A mudança repentina na minha (nossa) rotina e meu “afastamento” durante o dia fez com que a produção de leite materno diminuísse muito mais do que eu jamais imaginaria. Tento tirar leite duas vezes enquanto estou fora, mas não sai grandes coisas e o tempo que o corpo pede pra repor o que foi tirado é longo demais e, se eu tiro muito quando chego em casa, não sobra pra ela. No domingo, o primeiro dia “crítico”, tive que dar mamadeira a noite. Chorei e sofri muito, você se sente perdida; só quem já amamentou sabe da importância dessa ligação entre mãe e filha. Difícil demais!
Liguei pro médico, ele me orientou tomar Plasil e aumentar a quantidade de água. Vou tentar, ficar com energias boas e ver no que dá. Amamentar é o momento mais sagrado entre nós duas e eu não queria perder isso tão cedo. Ela está forte e bem alimentada, não tenho dúvidas; então entrego nossa saúde nas mãos de Deus e que seja o que Ele quiser.
Ontem fui buscar Luna na escola e ela estava com o olho extremamente vermelho, inchado e com muita secreção. Desde terça-feira o olho esquerdo já havia apresentado uma certa irritabilidade, mas bem leve. Ontem fiquei realmente assustada com a situação. Liguei pro pediatra descrevendo seu estado e a orientação foi lavar muito com água filtrada e fervida e comparecer ao consultório no dia seguinte. Ela acordou a noite com o olho grudado, de tanta secreção que havia, e assim redobrei a limpeza. Acordou melhor hoje e Dr. Moacir concluiu que não era conjuntivite, receitou um colírio – ainda sem antibiótico – e a continuação da limpeza intensiva.
Enfim, dias e noite não muito fáceis, mas sou tão abençoada que tenho uma filha que, mesmo assim, nunca deixa de sorrir.
domingo, 15 de maio de 2011
Trocando o casulo...
Uma mulher, ao longo de sua vida, passa por muitas fases, está "sempre" em período de transição.
Virar mãe é uma das maiores... Não, acho que é a maior mudança que pode acontecer na vida de uma mulher. E quando o bebê nasce, tudo muda, a todo instante, numa velocidade assustadora.
Desde que Luna chegou já vivemos muitos momentos assim; desde coisas simples, como passar das roupas e fraldas RN, para P e hoje M (e até G!) como começar a "vida escolar" no berçário, tomando suco, comendo frutinha e ficando quase 12 horas por dia longe de mim.
Na sexta-feira Luna fez 4 meses, e eu sabia - desde a primeira consulta no pediatra, com apenas 1 semana de vida - que este dia chegaria: Luna, que até então dormia no carrinho, na frente da nossa cama, dormiu, pela primeira vez, a noite inteira em seu berço, no seu quarto.
Um dos meus maiores medos sempre foi que ela engasgasse dormindo e, segundo os médicos, existia uma chance maior disso acontecer até os 4 meses, quando o sistema digestivo ainda estava em formação. Então, como era inviável colocar o berço no nosso quarto, optamos por deixá-la no carrinho, pra que eu ouvisse e pulasse da cama ao menor sinal de ruído vindo dali.
Luna já está grandona, ainda é minha bebê - e acho que a verei como bebê até ela completar 47 anos - mas seu organismo já está bem mais formado e forte.
Parece besteira, mas olhar o carrinho vazio na beirada da cama - mesmo sabendo que ela estava linda e dormindo no quarto ao lado - me deu um apertinho no coração... Ir do carrinho pro berço foi um pequeno-grande passo em sua longa caminhada "em busca da independência", e acho que é isso que me faz sentir assim, já, tão cedo, alguns metros longe dela.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Berço - a missão
Meu primo-afilhado fez dois anos em maio.
Dois aninhos!!! Já é um mocinho!!! E já está na hora de trocar o berço por uma cama... Na verdade "caminha": baixinha, pra que ele possa subir sem esforço e descer sem cair... E poder ir até o quarto da minha tia sozinho e acordá-la as 7 da manhã de um domingo, subindo na barriga, e indo dormir de atravessado na cabeceira da cama. (Ela me confessou no domingo que teve um dia que nem sequer acordou com tudo isso: "Acordei e ele já estava lá, dormindo!")
Acho que engravidei na hora certa.
Conversando com minha tia há umas semanas atrás ela perguntou se eu gostaria de "herdar" o berço do Guga. Quê????? Claaaaaaaaaaaaaaaaaro que eu quero!!!
Estou de 4 meses e já tenho berço... AND uma poltrona de amamentar! Digno!!!
Berço branquinho e poltrona azul! Lindos! (Se for menina a gente joga uma manta lilás por cima da poltrona e pronto!)
Bom, como nada é de graça nessa vida - mesmo que tenha sido herdado - tivemos que ir até São José dos Campos (onde eles moram) buscar os primeiros ítens do quarto do baby...
Adoro ir pra São José passar o dia com o Guga. Ele fica muito mais à vontade na sua própria casa (claro!!!), então é muito mais gostoso brincar com ele lá.
Combinei com a minha tia que eu e Silvio iríamos no domingo. Almoço com direito a bacalhau no bafo e brigadeirão de sobremesa!!! Delícia!
Tive que desapegar do meu Celtinha pra ir com o Siena, já que o porta-malas é incrivelmente maior. Tudo pelo bem geral da família!
Dia lindo! Já estava com saudades de pegar a estrada...
Gugão estava com as baterias carregadas!!! Andamos de carrinho na rua, jogamos boliche, assistimos desenho, tomamos sorvete no shopping... Sabem aquela soneca que toda criança tira, ou depois do almoço ou durante a tarde? Então, nem isso aconteceu com ele...
Mas teve alguém - que eu não vou dizer o nome - que tirou um cochilo de uma horinha no sofá da sala, no lugar do Guga...
Finalmente... Colocar o berço no carro...
A idéia era, se possível, levar a poltrona junto nessa mesma viagem...
Então começamos tentando colocar as partes do berço no banco do carro mesmo, de lado, de pé, inclinado... Foi!!!
O Fernando (pai do Guga) foi com um metro até o porta-malas, mediu daqui e dali, entrou na casa e mediu a poltrona todinha. "Certeza que ela cabe no porta-malas!!!"
Felicidade total!!!
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ATÉ PARECE!!!
Não entrava nem a pau!
Ele é engenheiro e na medição não sacou que não entraria! É dose!
Teremos que voltar pra São José em setembro, justamente para o aniversário do Fernando. Aí a gente vai com meu super celtinha e leva a poltrona...
O que me consola é que não teríamos lugar pra colocar a poltrona. A casa do Silvio está lotada de coisas para a nossa casa! Geladeira, fogão, microondas, máquina de lavar roupa, copos, panelas, eletrodomésticos, rack, mesa de ping-pong (que irá se transformar nas prateleiras da casa, rsrsrs)... Eu moro num apartamento, e lá só coube o galeteiro (da ETNA! Lindo!!!) que eu ganhei adiantado do meu pai de aniversário.
Acabamos colocando o berço no banco de madeira da varanda. Não, não tinha outro lugar em casa...
Por enquanto cobri com um edredon velho, só por precaução; até comprar uma lona (ou algo do gênero) para embrulhar tudo bem embrulhadinho, igual neném...
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