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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Papel com afeto

Aprendi muita coisa na vida com minha mãe, e uma delas foi a importância dos pequenos gestos de carinho. Estou falando daqueles pequenos, que não custam nada, mesmo. Mas é o tipo de coisa que a gente não absorve de um dia pro outro. Quando eu era nova e achava que sabia sobre a vida, em discursos maternais quando o assunto era este, balançava a cabeça bem rápido pra conversa acabar logo, concordando que ela (a mãe) tinha razão; naquele dia, fazia de um jeito diferente e depois era como se esquecesse o valor daquele gesto, como se ele escorresse pelo ralo enquanto tomava banho.

Na correria do dia-a-dia, na falta de tempo (e de cuidado) pra ter um olhar mais atento com o outro, fazemos escolhas automáticas e focamos em dar conta apenas de obrigatoriedades. E que atire a primeira pedra quem nunca fez isso. Mas se tem uma coisa que minha mãe sabe ser é persistente. Mesmo agora, que também sou mãe, ela não deixa de me mostrar o caminho do afeto e ensinar o que realmente importa nesta vida. E eu preciso novamente balançar a cabeça, mas agora bem devagar, absorvendo cada palavra e me esforçando de verdade pra levar isso pra vida.

Quando Luna começou a freqüentar a escola, tudo isso se traduziu num gesto bem simples. A primeira data comemorativa escolar foi o Dia dos Professores. Pra começar, precisei de ajuda da mãe de segunda viagem (a minha) para comprar os presentes; e nada como alguém experiente no assunto pra saber como agradar profissionais que conhece tão bem. Presentes, no plural mesmo, já que devo uma grande parte dos cuidados e do desenvolvimento da minha cria à duas berçaristas, à auxiliar, à cozinheira, à coordenadora pedagógica, à diretora (e amiga) e ao segurança da escola.

Quando minha mãe entregou as encomendas, mandou junto um pedido muito sutil, com ênfase em palavras que tinha certeza que me deixariam sem escapatória: “Faça um cartão e escreva um agradecimento pessoal para cada um daqueles que cuidam tão bem da sua filha.” Se era bem a verdade, o que eu poderia dizer? Com muita um pouco de preguiça (confesso!), balancei a cabeça bem devagar e corri pro maridão, pedindo um job de última hora pro melhor designer que conheço. Como Silvio se dedica com todas as células do corpo a tudo que se empenha em fazer, o resultado não poderia ter sido outro. O texto, acabei escrevendo no verso do cartão:



Desde então, todas as lembranças comemorativas que Luna entrega na escola vão acompanhadas de um pedaço de papel que torna aquele objeto embrulhado “especial”, pelo menos pra mim. Peguei muito gosto pela coisa e roubei do marido a função. Claro que não fica igual, mas tenho tido um prazer enorme em desenvolver a arte (ui! artista!), escolher a foto e pensar no texto.




Por mais simples que seja, é um tempo que paro e me dedico a fazer algo com afeto, pensando naqueles com quem Luna passa a maior parte do dia. Ainda tenho muito – muito! – o que aprender sobre este assunto, mas de uma coisa tenho certeza: meu arquivo com montagens de cartões comemorativos crescerá a cada ano.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Bonecas...


Não tem jeito, a realidade é essa: assim que uma mãe fica sabendo que uma menina cresce dentro de sua barriga ela precisa aceitar o fato de que nos próximos anos terá em seu campo de visão bonecas de todos os tipos, tamanhos, cores, roupas, perfis, etc., etc., etc.

Eu e Silvio sabemos que existem tantos outros brinquedos e brincadeiras legais que nunca pensamos em comprar uma mini Luna. E sabem o que mais? Luna já ganhou dez bonecas desde que nasceu. DEZ. Com um pouco mais de um ano e meio, a pequena já tem bonecas de pano, que trocam a fralda, que cantam, que tomam mamadeira, choram ou falam ao apertar sua barriga; todas elas foram presentes de amigos ou de alguém da família, recebidas em alguma data comemorativa.

É fundamental incentivarmos que uma menina crie uma relação saudável com suas bonecas, mas acredito que este é um assunto que precisa ser pensado um pouco mais a fundo, principalmente pelos pais.

O nosso sentimento ao olhar para um bebê é de imediatamente acariciá-lo. Para a criança esse sentimento não é natural, inicialmente ela não enxerga aquele objeto inanimado merecedor de carinho (mesmo que para nós pareça ser um instinto materno), pois não possuí a referência dos adultos. Luna aprendeu a “ninar” sua primeira boneca com 10 meses de idade, e os movimentos imitavam os gestos que a avó paterna fazia quando a colocava pra dormir: a virava de ladinho e a balançava pelas costas ou pelo bumbum, acariciando sua cabeça e cantarolando baixinho. Aquela interação dela com a avó lhe causava uma sensação boa, aí então ela considerava que aquele “bebê”, parecido com ela, também poderia receber tal tratamento, depositando nele afeto e emoção, pela posição que ele passou a ocupar em suas interações.

A boneca, antes de mais nada, é uma representação do desejo do adulto; por ser pensada e “fabricada” por adultos, reflete a forma que eles desejam que a criança interaja com o brinquedo. Com o intuito de aumentar as vendas, as marcas desenvolvem bonecas cada vez mais prontas, “perfeitas” e cheias de efeitos. Dessa forma impedimos as meninas de exercitarem de forma plena o imaginário e prejudicamos seu desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. O movimento da fantasia é tão importante quanto o movimento de seu corpo. Sobre os materiais das bonequinhas, a maioria é feita de plásticos ou borrachas sintéticos; por não existiram na natureza, eles são frios.  Precisamos possibilitar que a criança sinta diferentes tipos de materiais naturais (lã, feltro, algodão, etc.), materiais estes que despertam calor e segurança. Quanto mais simples for sua boneca, mais a criança se tornará ativa em sua fantasia. Em casa deixamos as bonecas de tecido na cama, pois é com elas que Luna dorme abraçada de vez em quando. As outras mais expostas a se sujarem, já que são mais resistentes e fáceis de lavar.
 

Nas palavras do filósofo e cientista austríaco Rudolf Steiner, “a boneca na mão de uma criança é para ela um espelho de seu ser e de seu processo evolutivo”; por isso cada tipo de boneca é ideal para uma faixa etária: para as nossas bebês, é indicado bonecas que se parecem com bebês, pois representam os primeiros cuidados da mãe (e mesmo do pai), da avó, etc.; de preferência as de pano, por transmitirem afetividade. Já as bonecas com aspecto de “mais velhas” devem fazer parte das brincadeiras de crianças maiores, pois representam a vida social adulta, trazendo segurança e desenvolvendo sua autonomia. Confesso que muitos modelos das tais bonecas-moças me assustam: salto-alto, maquiagem e roupas justas. Tive Barbies com esse perfil e isso não me fez ver nelas o modelo ideal de mulher adulta, mas os tempos eram outros e as influências externas também.  

Como Luna ganhou as bonecas que tem e como todas essas questões sobre o ato de brincar não fazem parte de conversas diárias da maioria das pessoas, não tenho como julgar suas escolhas no momento da compra. Antes de começar a refletir sobre o assunto, há poucos dias atrás (no meu caso as reflexões acontecem de acordo com a evolução e o crescimento da Luna, conforme vão fazendo sentido), eu mesma poderia ter comprado um exemplar semelhante aos que ela tem para dar de presente.

Sei que todas as bonecas que Luna ganhou foram datas com muito carinho. Minha filha adora seus “nenéns” e não é minha intenção impedir que ela brinque com as bonecas que já tem. Então o que fazer com tantas criaturinhas? Deixá-las guardadas no armário e ir dando aos poucos? Teria sido uma boa opção se eu não tivesse certeza de que, com o tempo e com a chegada de novas datas comemorativas, mais delas virão; isso foge - em parte - do controle dos pais. Abrir todas e deixá-las num único lugar só se eu não quisesse mais sentar no meu sofá pra assistir televisão e preferisse realocar uma cadeira da cozinha, por exemplo.

Então o fluxo dos acontecimentos foi possibilitando que os “nenéns de brinquedo” fossem se espalhando pelos espaços onde Luna circula. Sem querer, fomos deixando umas na cama (as de pano), na sala, no banheiro (a de dar banho), no carro, na casa da avó materna, no carro da avó materna e na casa da avó paterna. Dessa forma, conseguiremos manter as “amigas” de Luna sempre próximas, a acompanhando em todos os seus momentos, de brincadeiras, de alegrias e de tristezas; ao dormir, ao acordar, tomando banho, café da manhã ou compartilhando no carro como foi seu dia na escola.  

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Doce sabor da gravidez


Juro que, se a contrapartida de estar grávida não fosse carregar uma barriga gigante, eu não acharia ruim que a gestação durasse alguns meses à mais. Falta tão pouco pra Luna nascer... Justo agora que eu estava me acostumando com a vida cheia de mimos e privilégios...
E são os pequenos gestos que fazem a diferença.
Uma amiga do trabalho foi passar uns dias em Buenos Aires, mas assim como a maioria do pessoal da "firma", não consegue ficar desconectada, offline - mesmo que seja pelo celular - e enquanto estava em solo Argentino, seu nick no gmail era "Buenos Aires" (ou coisa parecida).
Acho que a gravidez me deixou um pouco mais cara-de-pau do que o normal, pois, assim que a vi online,  sem pensar, digitei: Mari! Traz um alfajor pra mim?
E pra minha surpresa, sua resposta foi: Claro! Você acha que eu deixaria uma grávida com vontade de alfajor?!
Confesso que a primeira coisa que pensei assim que a Mari entrou na sala do trampo foi na "promessa" sobre o tal alfajor; mas achei que eu deixaria claro minha incrível gula se tocasse no assunto com ela; deixei quieto e esqueci o assunto.
Um pouco antes de ir embora, enquanto trabalhava concentrada na edição de um vídeo, sinto um pequeno pacote ser levemente arremessado ao lado do meu computador. Ao olhar por cima da baia da minha mesa, vejo Mari Man sorrindo e olhando pra mim.
Nem quem tem 30 anos de prática com tricô tem mãos tão rápidas quanto as minhas para abrir um pacote quando já suspeito de seu conteúdo... E eis que um delicioso alfajor originalmente argentino surge, num lindo papel dourado!

Como eu não sabia quando teria o prazer de saborear uma iguaria daquelas novamente, o dividi no meio e comi metade no mesmo dia e metade no dia seguinte.
Obrigadíssima Mari, pela delicadeza da lembrança...
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Para adocicar ainda mais o post, uma coincidência açucarada:
Meus avós e meus tios foram passar uma semana adivinhem onde? Buenos Aires!!!
E adivinhem o que trouxeram pra mim e pro Sil? DUAS CAIXAS de alfajores!!!! Ok, ok, terei que dividí-los com o Sil e prometo comer moderadamente, metade de uma unidade por dia...
Mas é tão boa a sensação de ter DUAS CAIXAS de alfajores argentinos no armário do meu quarto...
Ai, doce sabor da gravidez... Que dure para sempre, ou pelos próximos 3 meses...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Berço - a missão

Meu primo-afilhado fez dois anos em maio.
Dois aninhos!!! Já é um mocinho!!! E já está na hora de trocar o berço por uma cama... Na verdade "caminha": baixinha, pra que ele possa subir sem esforço e descer sem cair... E poder ir até o quarto da minha tia sozinho e acordá-la as 7 da manhã de um domingo, subindo na barriga, e indo dormir de atravessado na cabeceira da cama. (Ela me confessou no domingo que teve um dia que nem sequer acordou com tudo isso: "Acordei e ele já estava lá, dormindo!") 
Acho que engravidei na hora certa. 
Conversando com minha tia há umas semanas atrás ela perguntou se eu gostaria de "herdar" o berço do Guga.     Quê????? Claaaaaaaaaaaaaaaaaro que eu quero!!!
Estou de 4 meses e já tenho berço... AND uma poltrona de amamentar! Digno!!!
Berço branquinho e poltrona azul! Lindos! (Se for menina a gente joga uma manta lilás por cima da poltrona e pronto!)
Bom, como nada é de graça nessa vida - mesmo que tenha sido herdado - tivemos que ir até São José dos Campos (onde eles moram) buscar os primeiros ítens do quarto do baby...
Adoro ir pra São José passar o dia com o Guga. Ele fica muito mais à vontade na sua própria casa (claro!!!), então é muito mais gostoso brincar com ele lá.
Combinei com a minha tia que eu e Silvio iríamos no domingo. Almoço com direito a bacalhau no bafo e brigadeirão de sobremesa!!! Delícia!
Tive que desapegar do meu Celtinha pra ir com o Siena, já que o porta-malas é incrivelmente maior. Tudo pelo bem geral da família!
Dia lindo! Já estava com saudades de pegar a estrada...


Gugão estava com as baterias carregadas!!! Andamos de carrinho na rua, jogamos boliche, assistimos desenho, tomamos sorvete no shopping... Sabem aquela soneca que toda criança tira, ou depois do almoço ou durante a tarde? Então, nem isso aconteceu com ele... 
Mas teve alguém - que eu não vou dizer o nome - que tirou um cochilo de uma horinha no sofá da sala, no lugar do Guga...
Finalmente... Colocar o berço no carro...
A idéia era, se possível, levar a poltrona junto nessa mesma viagem...
Então começamos tentando colocar as partes do berço no banco do carro mesmo, de lado, de pé, inclinado... Foi!!!
O Fernando (pai do Guga) foi com um metro até o porta-malas, mediu daqui e dali, entrou na casa e mediu a poltrona todinha. "Certeza que ela cabe no porta-malas!!!"
Felicidade total!!!
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ATÉ PARECE!!!
Não entrava nem a pau! 
Ele é engenheiro e na medição não sacou que não entraria! É dose!
Teremos que voltar pra São José em setembro, justamente  para o aniversário do Fernando. Aí a gente vai com meu super celtinha e leva a poltrona...
O que me consola é que não teríamos lugar pra colocar a poltrona. A casa do Silvio está lotada de coisas para a nossa casa! Geladeira, fogão, microondas, máquina de lavar roupa, copos, panelas, eletrodomésticos, rack, mesa de ping-pong (que irá se transformar nas prateleiras da casa, rsrsrs)... Eu moro num apartamento, e lá só coube o galeteiro (da ETNA! Lindo!!!) que eu ganhei adiantado do meu pai de aniversário.
Acabamos colocando o berço no banco de madeira da varanda. Não, não tinha outro lugar em casa...
Por enquanto cobri com um edredon velho, só por precaução; até comprar uma lona (ou algo do gênero) para embrulhar tudo bem embrulhadinho, igual neném...