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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sapatilhas, lanches e a segurança do olhar.


Aquela manhã começou com o poema da Cora Coralina, lido pela diretora da escola. Collants, saias, meias-calças e sapatilhas, com pequenas bailarinas dentro, alinhavam-se em duas fileiras, sentadas no chão. Olhando pelo grande espelho da parede da sala, podiam ser vistos pais, mães, avós, tios, irmãos e primos, sentados em colchonetes ou de pé, nos cantos da sala, tentando arranjar o melhor ângulo para seus olhares atentos e também para os flash e lentes de suas câmeras.

A mais nova da turma estava de maria-chiquinha, porque, por mais que ela desejasse, diariamente, que seu cabelo estivesse tão longo como de suas amigas, as volumosas madeixas ainda não davam conta de formar um coque, daqueles redondinhos no alto da cabeça. A meia-calça fina fazia sua estreia nas pernocas fofas e sofreu de medo da cadela da família, doida pra pular e brincar com a pequena bailarina, quando saía de casa.

Quando a música começou, saindo das caixas de som da academia, uma sensação de nostalgia me preencheu por completo. Voltei 17 anos no tempo e lembrei-me de como a brincadeira de dançar era coisa séria pra mim. Bolhas nos pés, caixas de grampo de cabelo e coleção de polainas; aulas de alongamento, exercícios na barra e provas individuais na frente do resto da sala; corpo alongado, queixo pra cima e movimentos leves; a vontade de fazer melhor, mais rápido e com mais perfeição.

Ver Luna naquele grupo de pequenas bailarinas encheu meu coração de ternura. Lembrei os olhares e sorrisos da minha mãe, que me acompanhou durante os três anos de dança, em todos os festivais, apresentações e mostras das quais o grupo da academia participou. Com os dois pés na adolescência, em alguns momentos eu senti vergonha de ter a mãe tirando mil fotos, perguntando se eu estava com fome, se eu estava com sede, e mesmo me elogiando na frente de outras pessoas. Adolescente é um porre!

Agora eu era espectadora, olhares fixos na cria. Mas eu também recebia os olhares de Luna, conforme fazia os exercícios e passinhos mais infantis possíveis; ela olhava pra mim com um sorriso tímido, e acho que conseguia ver meu rosto todo iluminado de orgulho, pelo simples fato dela estar ali, fazendo o seu melhor, junto com as amigas. Percebi que, anos atrás, enquanto eu dançava, o corpo, o suor e os movimentos eram meus, mas a presença da minha mãe e aquele olhar que me seguia pelo palco eram a minha segurança. O dinheiro gasto com roupas, fantasias, maquiagem, inscrições, boletos de mensalidade, viagens; a sacola de lanches, quando passávamos horas dentro de um teatro, marcando palco, ensaiando e nos arrumando; as horas de pé no sol, no estacionamento de um shopping ou numa rodoviária de São Paulo; as horas de espera, as horas longe de casa, do meu pai e do meu irmão; aguentar me vendo dormir de collant e meia-calça e comer igual troglodita.
 

E eu nunca tive maturidade suficiente de agradecê-la por tudo; e esse ‘tudo’ é muito, mesmo! Se eu tive experiências incríveis em relação à dança, se eu conheci pessoas que são queridas até hoje, se eu tive a oportunidade de estar em cima de um palco, devo a ela. Também devo ao meu velho, claro! Escolhas e decisões sempre foram feitas em família. Não sei se Luna terá a rotina que tive durante aqueles três anos e, independente das escolhas que ela faça, só espero ter o oportunidade de estar ali, com lanches e amor.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Esta é a verdadeira descoberta...

Não importa a cama, o travesseiro... 
 

 A temperatura, a posição...

A hora, o dia...


A roupa, o sono.


 
Luna sempre (SEMPRE!) se descobre minutos depois de ser colocada na cama.

Já tentamos cobri-la com edredom de casal, prender as pontas embaixo do colchão, deitá-la numa das metades da coberta e cobri-la com a outra metade e até mesmo jogar o edredom por cima das grades da cama, de modo que o tecido nem encoste nela. Nada adiantou. Já tentamos conversar com ela inúmeras vezes, mas ela não se cobre nem quando está dormindo conosco; nesses casos a coberta vira contorcionista: fica pra cima nas pontas e pra baixo no meio.

Na hora de vesti-la pra dormir, partimos do princípio que a roupa do seu corpo será sua única proteção contra o frio durante toda a madrugada. E pra ajudar, a criatura pegou a mania de tirar as meias dormindo. Se fossem só as meias, estava de bom tamanho. Na semana passada fui até seu quarto assim que acordei e, ao olhar pra cama, vejo uma criança de meias, blusa e... Fralda. Luna tirou as calças enquanto dormia. Estava toda encolhida num canto, com as pernas geladas, mas descoberta e sem calça!

A solução foi apelar: compramos meias 3/4 (“De jogar futebol, igual do papai!”) e macacão, matando a saudade de quando a cria era pequena e esta peça era carro-chefe no armário. Pode vir com tudo inverno! Estamos descobertos, mas preparados!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mamãe quatro-olhos






Este blog foi criado inicialmente pra relatar acontecimentos ocorridos durante a gravidez. Depois que Luna nasceu o foco obviamente mudou, agora os textos iriam acompanhar o crescimento da minha pituca e tudo que estivesse envolvido com isso.


E daí que eu estava pensando que, desde 13 de janeiro de 2011, 99% da minha vida está direta ou indiretamente ligada à Luna. Puxa! Descobri a América agora. E foi essa “descoberta” que me fez pensar que este post caberia aqui.


Um belo dia, aproximadamente cinco anos atrás, minha mãe olhou pra mim enquanto eu estava na frente do computador e se assustou: “Nossa filha! Por que fica tão perto do monitor, está com dificuldades para enxergar?” E eu comecei a reparar que era isso mesmo: pra conseguir ler o que estava na tela, ou mesmo ler um livro, eu tinha que me aproximar mais do que o normal do objeto em questão. Fui procurar um oftalmologista e o veredicto foi: você tem astigmatismo, precisa usar óculos. Maravilha Brasil! E foi assim que passei a ver o mundo com uma lente na frente depois dos 20 e poucos anos de idade.


No verão de 2009, fui passar uns dias na praia com minha querida Tatiana Bittar e como acho delicioso ir pra areia no final da tarde com uma cadeira e um livro, levei meus óculos.


E daí que, ao voltar pra São Paulo e desfazer minhas malas, senti falta das minhas lentes com armação vermelha. Procurei pela casa toda, nada. Quando voltei pra praia semanas depois, fiz uma busca minuciosa, nada de nada.


O tempo foi passando e eu fui “deixando de lado” essa história, como usava os óculos apenas pra ler, dava uma forçadinha na vista aqui e ali; e ia vivendo.


Quando finalmente resolvi correr atrás do prejuízo e ir ao oftalmologista, estava no início da gravidez e recebi a notícia: as variações hormonais durante a gestação – se estendendo para a fase de amamentação - podem acarretar mudanças refrativas. Isso significava que a visão poderia ficar levemente embaçada. Isso significava que não valeria à pena mandar fazer óculos agora, pois muito provavelmente eu teria que refazê-los depois. Isso significava que eu ficaria mais alguns bons meses dando aquela tal forçadinha na vista.


Voltei a trabalhar quando Luna tinha um pouco mais de três meses. Por mais que eu tivesse tentado (quase) tudo, o leite secou dois meses depois. Ela já passou dos oito meses e algumas semanas atrás achei que já era hora de parar de prejudicar minha visão.


Fui ao oftalmologista apenas pra verificar o nível da piora do astigmatismo e pegar a receita para fazer os óculos. 1,5 no olho direito e 0,75 no esquerdo é muito grave? Bem, não ligo mesmo, terei que voltar a usar aquela coisa lá de qualquer jeito, está na minha CNH: lentes corretivas obrigatórias. É a vida...


Kelly Cury, aquela do post sobre a natação indicou uma ótica nos Jardins, fazendo uma super propaganda do lugar, que incluía o diferencial dos modelos, a qualidade dos produtos, o bom atendimento, a importante participação do atendente para ajudar a avaliar qual o melhor modelo para seu rosto - levando em conta seus gostos particulares na vida - e a garantia de manutenção por tempo estendido. Fui, né!


E realmente era tudo aquilo mesmo. É claro que x+y+w = $$$$$, mas como a idéia é não trocar os óculos a não ser que o grau mude ou que um trator passe por cima deles, eu estava disposta a pagar um pouco mais.


Depois de muita conversa, muitos modelos sugeridos, muita explicação do quanto não funciona pra mim óculos coloridos, já que eu tenho uma leve necessidade de minimamente combinar roupas e acessórios, o resultado é este aqui:


Glasses

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Não. Não estou achando uma delícia usar óculos. Mais uma coisa pra se preocupar, limpar, guardar, cuidar e principalmente usar. Assim que coloquei e saí na rua, parecia que tinha tomado alguns livros da pinga mais barata do boteco da esquina; meu nariz está achando estranho e minhas orelhas também



Mas o que se há de fazer?


Há uma coisa: rezar pra que Luna não precise usar. Rezar muito, já que eu uso e Silvio também.

terça-feira, 19 de julho de 2011

6 meses e muito mais

1, 2, 3, 4, 5, 6... Luna completou 6 meses na semana passada. Meio ano de vida!!! Seis meses, 181 dias, 4.320 horas!
Ela ainda é apenas um bebê, mas já aprendeu tanta coisa neste tempo, já mudou tanto, cresceu tanto, e a cada manhã que vou até seu berço ela parece muito maior, mais esperta e mais interessada pelo mundo.
Da série “Ser mãe é”: devorar livros, sites e newsletters sobre todas as fases do desenvolvimento do seu bebê. E a cada novo texto eu parava pra pensar como é difícil ter que aprender simplesmente tudo, desde sugar, segurar algo nas mãos e virar a cabeça quando ouvir um barulho. É muita coisa! O ser humano já nasce cheio de “pressão”; por mais que cada bebê tenha seu tempo - e esse tempo deva ser cuidadosamente respeitado – existem os ‘exercícios de estimulação’ que precisam ser feitos constantemente para que os pequenos consigam, aos poucos, experimentar novas vivências e se virar sozinhos.
E quando você está com sua cria no colo, com apenas um ou dois meses, toda molinha, vendo fotos de bebês sentados, de bruços, engatinhando, ou de pé, é quase impossível imaginar que um dia o seu bebê irá fazer tudo aquilo. Você faz os tais exercícios de estimulação porque no fundo acredita que esta é a única maneira de sonhar com a possibilidade do desenvolvimento do seu bebê; mas ali, naquele momento, parece que ele vai ser molinho pra sempre.
E Luna me surpreendeu novamente esta semana. Passamos todos os dias juntas, eu, de folga do trabalho, ela, de férias da escolinha, as duas matando a saudade da nossa época de licença maternidade. Que delícia de semana, cheia de novidades e descobertas: Luna já fica sentada praticamente sozinha, virou de bruços a primeira vez sem ajuda, já pega e segura sozinha os próprios pés (e de vez em quando os coloca na boca) e experimentou o gostinho do sal, da comida, não dos pés...
Quase morri de felicidade quando deixei Luna deitada de barriga pra cima, coloquei um brinquedinho ao seu lado, na altura dos olhos, e ela, de uma vez, virou de bruços pra pegar o brinquedo. É um orgulho tão grande que não cabe no peito. Faço esses exercícios de rolar desde que ela tinha dois meses. No começo eu fazia praticamente todo o movimento, todo o esforço, mas com o tempo foi ficando mais fácil, apenas uma ajudinha e nesta semana, foi sozinha e agora vai sozinha sempre, sem hesitar.
Pra sentar foi a “mesma coisa”; o plano foi mudando, antes só deitada, depois uma almofadinha pra inclinar, depois uma almofadona, depois sentada, encostada no sofá e rodeada de almofadas, depois sem almofadas, mas ainda com braços em volta. E agora, colocamos um edredom no chão, brinquedos por perto e pronto, ela fica lá se distraindo. Claro que cai de vez em quando, mas quase não acontece mais. Lindo olhar pra ela ali, sentadinha, brincando. Tão linda que eu tenho que me controlar pra não apertá-la de cinco em cinco minutos; minha bebê tão mocinha já.
Pés nas mãos e mãos nos pés, foi de repente. Há uns três meses vi um bebê no shopping sentado/deitado no carrinho, com a mamadeira numa mão e um pé na outra, quase ajudando a segurar a mamadeira; achei fofo. Mas nunca insisti muito pra que Luna segurasse os pés, bem de vez em quando, na hora de trocar a fralda, eu levava um pezinho até suas mãos, só pra que ela pudesse ir descobrindo o próprio corpo. E assim, um belo dia ela levanta os dois pés pra cima, segura cada um com uma mão e fica deliciosamente se balançando. Ás vezes trapaceia e segura as meias ou a calça, mas eu suspiro de alegria mesmo assim.



Seis meses completos, hora de entrar na papinha. Por enquanto legumes cozidos com uma pitadinha de sal. Primeiro dia, batata com cenoura. Luna sempre mamou feito cabritinha, devorou mamadeiras e papinhas de fruta. Como seria um gosto tão novo? E se ela não gostasse? Se recusasse? Apreensão. Mas ela não me decepciona nunca. Na primeira colherada fez uma cara do tipo: “Que gosto é esse? Huuuum, é bom, quero mais!” E abriu o bocão logo que viu a colher de novo. Cenoura com abóbora? A mesma coisa. Abóbora com abobrinha? Também. Dá gosto de preparar qualquer refeição dela. O único problema? O cocô! JesusMariaJosé, como fede aquele cocô! É minha filha, fruto do meu ventre e eu a amo mais do que tudo nessa vida, mas não me venha nenhum discípulo de nenhuma linha de psicologia dizer algo do tipo “É o cheio natural do seu bebê, é lindo” ou nada parecido. Eu daria todo apoio se inventassem uma fralda com alguma substância que amenizasse aquele cheiro ou algum acessório pro nariz das mães na hora de trocar a fralda. Ninguém merece...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Respiração, alongamento e equilíbrio

Eu sei que a prática da Yoga não se limita apenas a respiração, alongamento e equilíbrio, mas são exigências constantemente presentes durante a aula.

Tenho uma grande amiga que é professora de yoga há 7 anos e resolvi procurá-la quando estava, mais ou menos, com dois meses de gravidez. Ela me orientou a esperar mais um pouco, até completar 3 ou 4 meses de gestação para dar início ao trabalho.

Mas minha vida andou (e anda) tão absurdamente corrida desde então que só consegui me organizar para começar as aulas agora, há um mês atrás, já de 28 semanas! 

Antes tarde do que nunca...

Confesso que é um tanto estranho ter sua amiga como professora; a postura é outra, o clima é outro; a intimidade aqui se perde um pouco... Mas por outro lado me sinto segura por conhecê-la há tanto tempo e saber que estamos - eu e Luna - em ótimas mãos.

São exercícios que mexem com o corpo todo: uma simples posição aumenta sua respiração e faz seu sangue circular mais rápido.

Descobri que, com muito esforço e dedicação consigo respirar apenas pelo nariz durante pelo menos uma hora. Descobri também que ainda tenho equilíbrio e alongamento para algumas posições, mas que estou bem enferrujada para outras.

O mais difícil mesmo é acordar 05h30... A aula começa às 07h e fica em Higienópolis, eu percorreria a distância facilmente em 15 min, mas tenho uma Radial Leste a enfrentar; então preciso sair de 06h10, no máximo, para não chegar tarde...

Não sei se pelo horário, pelos movimentos ou pelo ritmo respiratório, mas a Luna sempre ficou quietinha nas aulas, relaxada...

Antes tarde do que nunca e fico sempre mentalizando que as aulas me ajudarão MUITO, principalmente na hora do parto...

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Bem, a gente usa os filhos para um monte de coisas, ainda mesmo antes de nascerem.

Como "desculpa" para os (leves) inchaços nos pés - e também como orientação da nutricionista - decidi que seria justíssimo bancar umas sessões de drenagem linfática.

Fiz um pacote de 10, uma por semana, até, mais ou menos, a 37ª semana de gravidez. Claro que, como mãe que estou me tornando (será?), tive o maior cuidado do mundo pra escolher o local e o profissional que iria colocar as mãos em mim.

Minha avó faz massagem e fisioterapia com uma moça ali na Penha tem algum tempo já e me passou o contato. Numa conversa por telefone, ela - Adriana - me disse que era fisioterapeuta e que a maioria de suas pacientes eram gestantes ou estavam em recuparação de alguma cirurgia. Topei!

Nossa! Nossa! Nossa! Como é bom! Uma hora inteirinha de massagem "leve", relaxante... É tudo - ou quase tudo - que eu preciso ao final de uma semana louca de trabalho e coisas a resolver. Jeito delicinha de começar bem o final de semana (igualmente sempre louco, com mais mil coisas a resolver)...

Mamães de plantão que porventura passem por este post: suuuuuuuuuuuuuuper aconselho.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Coração de mãe


"A gestação é um momento de aumento progressivo de trabalho para o coração. A mãe necessita de muito mais sangue para nutrir o bebê, formar as estruturas novas (placenta) e principalmente permitir um crescimento adequado ao feto. Para isso, alguns órgãos devem trabalhar um pouco mais, como por exemplo o coração. Os sinais e sintomas mais comuns são: palpitação, batedeira, cansaço, falta de ar, fôlego curto e presença ou aumento de sopro cardíaco."

"Os fetos de mães que fazem exercícios físicos apresentam taxas de batimentos cardíacos significativamente mais baixos. As taxas de batimentos cardíacos dos fetos de mães que não se exercitam são mais elevadas independentemente da atividade fetal ou da idade gestaciona."

Que coração de mãe sofre desde o momento em que as primeiras células começam a se formar não é segredo pra ninguém, ou pelo menos pra quem já é mãe. Mas coração de grávida sofre mesmo, literalmente!

Há uns dois meses, enquanto assistia TV sentada no sofá de casa, comecei a sentir meu coração bater mais forte; não era mais rápido, mas sim mais forte mesmo, porque, teoricamente a gente não tem que sentí-lo bater, seu pulsar "deve ser" imperceptível no dia-a-dia. Mas naquele momento eu não conseguia nem prestar atenção ao que estava assistindo, pois sentia cada movimento que ele fazia.

Como meu histórico cardíaco não é lá grandes coisas - tive meu primeiro sintoma de arritmia aos 12 anos - fiquei super, mega, ultra preocupada com aquilo, e fui pesquisar sobre o assunto pra ver se algo na Internet me "acalmaria". Sabemos que pesquisar coisas na Internet pode trazer respostas incríveis, mas também pode fazer a pulga atrás da orelha crescer um tantico. Fui mesmo assim... E encontrei os trechos colados no começo do post.

Bem, já que eu tenho convênio médico, não me "custaria" (mais) nada marcar um cardiologista e fazer alguns exames, só pra receber um OK oficial do Doutor.

Mas sabe o que realmente me incomoda nessa questão toda? É que é uma exigência tão grande de tempo, logística e paciência que me cansa só de pensar; porque você precisa:

1- Procurar um médico decente - pra quem tem convênio da Unimed isso é quase uma missão impossível
2 - Agendar a consulta
3 - Ir na consulta
4 - Agendar os exames
5 - Fazer os exames
6 - Buscar os resultados
7 - Retornar no médico
8 - Comprar possíveis remédios e afins...

NINGUÉM MERECE, né?

Mas tá bom, tá bom... Vou fazer tudo isso e ficar desencanada de vez, espero...

O resultado é que estou hoje, desde ás 8 da matina com 4 fios colados no peito e um aparelhinho piscando o tempo todo. E, só pra deixar o exame mais divertido, tenho que anotar cada atividade mais "pesada", ou seja: caminhar, dirigir, dormir, assistir TV, coisa e tal, coisa e tal...

E hoje ainda tenho aniversário de uma amiga, como se já não estivesse difícil o suficiente escolher roupa pra sair, tem mais essa agora: escolher alguma que cubra esse monte de fios e esparadrapos... 
Acho que uma gola alta resolve o problema...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quem disse que pai não dá a luz?

Após um loooongo período, cá estou eu novamente dando minha contribuição para mais histórias sobre a minha gravidez e da Aline. E não precisa ficar assustado achando que passei por uma experiência científica como o Schwarzenegger na década de 90 (confesso que tive que recorrer ao velho amigo Google pra saber exatamente como escrever o nome desse infeliz).

O pai, pelo menos os que querem fazer parte desse momento tão materno que são as 40 semanas de gestação, têm que modificar sua rotina para acompanhar as mudanças "forçadas" pelas quais a mãe passa nesse período.

Após toda aquela novela envolvendo o médico frustrado e o encontro com a nossa nova doutora, muito simpática e atenciosa, esta semana foi a vez de irmos a uma nutricionista, a Melissa.
A indicação foi de uma gestante já conhecida por vocês, leitores de nosso blog, que teve espaço cedido para contar sobre sua luta contra a balança durante a gravidez: a Moura.

Fomos com ótimas referências e devo confessar que todas elas foram mais do que verídicas. A moça realmente parece entender muito sobre sua profissão e deu diversas dicas... praticamente uma aula de como funciona nosso organismo, como os nutrientes dos alimentos que ingerimos são absorvidos e tudo mais que precisávamos saber para que nosso filhote tivesse do bom e do melhor enquanto fica praticando natação no líquido amniótico.


Mas o que realmente me inspirou a escrever este post, como de costume, foi a situação fora do normal anterior à consulta.
No caminho para o consultório, a Li recebeu uma ligação da doutora informando que houve uma queda de energia no prédio e que, caso ainda quiséssemos comparecer à consulta, teríamos que subir de escada até o 7º andar. Como nós dois somos da geração saúde e sempre estamos fazendo algum tipo de exercício físico, topamos fazer a escalada.

Chegamos ao prédio e nos encaminharam para as escadas de emergência, com o seguinte conselho: "Como as luzes de emergência também estão desligadas, é melhor vocês usarem a luz do celular e segurar no corrimão para ter mais segurança". Aí caímos em um grande problema tecnológico pelo qual eu e a Li passamos: não temos aparelhos avançados, daqueles que normalmente as pessoas fazem de tudo um pouco, e até conseguem fazer e receber ligações neles. E quem falou que a luz dos nossos quase pré-históricos aparelhos iluminava alguma coisa?
Uma das coisas que mais me aflige nessa vida é a idéia de perder a visão, e ali me senti como Richard Pryor em "Cegos, Surdos e Loucos", tateando e tropeçando nos degraus.

Foi então que tive a brilhante idéia de usar o nosso novo "brinquedinho", vindo diretamente de Pittsburg, para iluminar nossos caminhos: o GPS!
Aquilo sim era uma luz no fim do túnel, e nos salvou de um possível treinamento para dublês, rolando escadaria abaixo.

No meio da nossa odisséia, ainda tive que dar uma de lanterninha e acompanhar uma moça que, pelo andar da carruagem, já estava há uns bons minutos ali, tentando enxergar os degraus com uma luz que mais parecia um
led de controle remoto. Como nosso destino era o 7º andar, deixei a Li num lugar seguro e plano, enquanto fiz minha boa ação até o 12º andar.

Finalmente conseguimos sair ilesos e, no meio da consulta, a luz voltou e não tivemos que continuar brincando de "lumos" na hora de ir embora, já que o elevador estava nos esperando de portas abertas. Só faltou suspirarem de satisfação como no prédio do escritório central do
Guia do Mochileiro das Galáxias.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O lado esquecido do armário

Mais dia menos dia isso acabaria acontecendo: as minhas calças preferidas seriam realocadas para um canto isolado do armário, canto esse onde eu só voltarei a mexer daqui alguns meses - caso tudo dê certo...

E hoje foi o dia da decisão...
(PS: comecei a escrever este post tem mais de uma semana)
Algumas delas não eram mais confortáveis faz um certo tempinho, mas eu teimava em usar (abrindo o botão sempre que sentava e cobrindo a parte aberta com a blusa). Shiu! Isso é segredo, afinal, não é digno uma futura mãe de família ficar com a calça aberta onde quer que seja. 

Mas é difícil se acostumar com a idéia. Sempre achei meu quadril largo demais, por causa disso só fui começar a usar calça skinny - modelo que dá uma suuuuuper valorizada nas curvas do corpitcho - no ano retrasado, quando a minha relação com meu corpo entrou numa certa estabilidade. E como esta estabilidade durou até então (então = julho, quando a gravidez começou a fisicamente aparecer) está sendo bem (BEM) difícil aceitar que terei que deixar minhas roupas preferidas isoladas num canto do armário e voltar a usar as antigas calças "largas".
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Pra ajudar: estava fazendo uma pesquisa de imagens para colocar neste post e achei o site de uma marca de roupas para gestantes.
Uma calça jeans simples, com elástico pro barrigão, pela bagatela de 258 reais.
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O.o
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DUZENTOSECINQUENTAEOITOREAIS
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Como devo ter feito muitas boas ações na vida passada, Deus quis que o auge da gravidez fosse no verão - segundo os médicos, meu pequeno parasita virá ao mundo entre a segunda quinzena de dezembro e a primeira de janeiro ("estragando" as férias de toooodo mundo, uhu!) - ou seja, a minha coleção de vestidinhos soltinhos e confortáveis irá aumentar incrivelmente!E vestidos pro verão a gente acha aos montes por aí! E viva a José Paulino!


Pedala padrinho... ou... A suspeita do primeiro chute

Meu pai passou um mês fora, trabalhando nos States; voltou no domingo...
Quando ele saiu de casa minha barriga estava praticamente reta ainda, quando eu contava para alguém que estava grávida, geralmente recebia olhares suspeitos.
Agora já posso me considerar uma super gravidinha: hoje, dia 24 de agosto, meu concepto está com 16 centímetros e pesa 260 gramas (segundo a newsletter do site bebe.com) e cresce em progressão geométrica.
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Como meu velho não havia visto a que ponto seu neto tinha crescido, em casa, no domingo mesmo, depois de passada toda a agitação da volta do chefe da família, minha mãe me puxa de lado e lança:
- Você já viu a barriga da sua filha?
E foi logo levantando minha blusa.
Meu irmão - THE godfather - interfere:
- Não! Se a Li deitar dá pra ver melhor.
Sento no sofá e reclino o encosto. Meu irmão se ajoelha ao meu lado, levanta um pedacinho da minha blusa e encosta a bochecha na minha barriga, com o rosto virado pra mim.
No segundo seguinte eu sinto um "pedaço da barriga sendo empurrado de dentro pra fora" (essa foi uma boa descrição de um possível chute?) e meu irmão deve ter sentido algo como um cutucão na bochecha. A gente se olhou com a maior cara de espanto do mundo e dissemos quase ao mesmo tempo:
- Isso foi um chute?!
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Caros amigos leitores, foi "um dos" milésimos de segundo mais gostosos da minha gravidez. Claro que o ultrassom é incrível - poder ser seu bebê ali se mexendo - mas uma coisa é saber que tem uma vidinha aqui dentro se formando, outra coisa - e agora entendo que é completamente diferente - é SENTIR essa vida, sentir literalmente na pele.

Uma pena que não foi o Sil quem sentiu o prmeiro chutinho, mas padrinho é quase um pai de consideração, certo?
E além da gente ainda não morar junto e trabalhar fora - portanto não ficar junto 24 horas por dia - a gente sabe que mãe tem privilégios emocionais e experimentais desde o momento da concepção, já que é impossível que o lado paterno sinta durante a gravidez o que a mãe sente (óbvio) e que, pelos menos até os primeiros meses de vida, a mãe tem muito mais contato com o herdeiro...

Ser mãe é padecer no paraíso...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço...

Bem...
Meu bebê está crescendo e começa a achar que é mais importante que qualquer outro órgão do meu corpo que esteja perto dele... (E sim, ele é mais importante...)
Portanto, começo a sentir que ele está ocupando todo o espaço possível e que todos os meus órgãos estão ficando em segundo plano.
Antes eu só sentia a bexiga apertada quando ela estava realmente cheia. Agora essa sensação dura praticamente o tempo inteiro e não é mais um incômodo localizado... É desde a altura das costelas até um palmo abaixo do umbigo... 
Ser mãe: trabalhinho difícil esse que as mulheres precisam fazer não?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Profissionais de saúde

Falta de amor pela profissão, frustração e incompetência.
Acho que essas três características definem muito bem alguns médicos de hoje em dia... Pensando bem, não é de hoje que alguns desses profissionais da saúde vêm interferindo negativamente na minha família.
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Há uns 10 anos atrás, numa atividade do trabalho - acho que era um encontro de formação com o pessoal da educação ou da assistência social; aqueles encontros com dinâmicas de grupo, coisa e tal - minha mãe se desequilibrou e caiu em cima da mão.
Corre pro hospital público mais próximo, faz o cadastro com a carteirinha do convênio e espere pra ser atendida pelo médico de plantão.
Ao entrar na sala, ele dá uma olhadinha, dá uma mexidinha e manda engessar - e só!
No dia seguinte a dor é maior ainda.
Agora "com tempo" ela vai até uma clínica de ortopedia. Tira o gesso, faz raio-x e o médico avisa que o gesso havia sido colocado completamente errado!
Final da história: por causa de um primeiro erro, ela teve que ficar seis meses com mão e braço engessados.
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Contei essa história toda porque ela me veio na cabeça no momento que descobri que meu ex-gineco-obstetra era um médico incompetente e frustrado, pois só isso pra justificar suas atitudes, orientações e postura para com as pacientes -  e o Sil é testemunha disso tudo.
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Acontece que há 5 anos eu faço exercícios físicos puxados: aula de spinning de 3 a 4 vezes por semana.

O Spinning é uma modalidade de bike indoor que se caracteriza pela simulação de pedaladas em diferentes tipos de terreno e pelo trabalho em vários níveis de freqüência cardíaca do aluno. O professor escolhe as músicas das aulas, que servem para passar emoção e ajudar o aluno a "sentir a estrada" em que se está pedalando.

Como toda futura mãe responsável, na primeiro consulta com o tal doutorzinho, pergunto sobre a prática de exercícios físicos explicando como eram minhas atividades até aquele momento. Eu já sabia que teria que abrir mão das minhas aulas de spinning, mas não achei que fosse ter que abrir mão até de andar rápido pra pegar o ônibus!

- Não! Nada de exercícios até a 16ª semana.
- Caminhada leve pode Doutor?
- Não! Passear no shopping pra gastar o cartão de crédito do namorado, sim. Mas só!

Espirituoso, não? 
Bem, como eu ainda não havia lido quase nada sobre gravidez, nem conversado com muitas pessoas, acatei a decisão do médico sem discutir.
Porém, com o tempo, fui descobrindo que sim, gestantes ainda no primeiro trimestre podem fazer exercícios! E se vc já os fazia - e não se enquadra na categoria "gravidez de risco" - pode continuar normalmente a fazê-los (com acompanhamento médico)! 
Resultado: perdi 4 meses de exercícios...
Agora me diz? Qual a formação desse cara? O que o faz um médico dar uma orientação tão errada? Pelo que agora entendo, exercícios são, inclusive, fundamentais pra gestante manter a forma, fortalecer os músculos e contribuem ao máximo pra que a gestação fique mais "leve", o parto seja mais tranquilo e a recuperação aconteça mais rapidamente.
Só fui ter segurança pra voltar a praticá-los quando trocamos de médico - agora é uma médica - e ela me disse "Claro que pode! Ainda mais que está tudo tranquilo, seus exames estão ok e você já praticava exercícios".
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Moro ao lado de um parque  - Parque do Piqueri - e na terça-feira foi o primeiro dia. Caminhada moderada de 45 minutos. Estava tão frio que não deu nem pra transpirar, mas só de voltar a mexer o corpitcho de alguma maneira já é uma sensação deliciosa!
A idéia é caminhar de 3 a 4 vezes por semana, bem de manhazinha, quando o ar é "menos poluído" - o que é bem difícil de identificar aqui em São Paulo. 
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Hoje é sexta-feira e na verdade ainda não consegui voltar ao parque. Essa semana foi muito corrida no trabalho, então acabei abrindo mão de me cuidar. 
Mas agora que sei que posso "botar pra quebrar moderadamente", irei regulando a rotina aos poucos.
Alguém aí topa uma caminhada?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Em movimento...

Como este blog tem o objetivo de compartilhar com amigos as experiências vividas AND registrar todo o processo de se tornar mãe (e pai) eu não poderia deixar de colocar aqui as primeiras imagens d@ pimpolho@.

Na verdade os minutos de fama já teriam 3 episódios, mas como deu pau no DVD do primeiro ultrassom (o laboratório foi o Digimagem, hunf!) só consegui subir os dois últimos...

 Como "consolo" segue a primeira fotinho do baby.
















2º ultrassom - Feito no dia 05 de julho


3º ultrassom - Feiro no dia 11 de julho


PS: Em um próximo post eu explico porque esses dois foram feitos em datas tão próximas...


Uma confissão: ao mostrar (justamente) este primeiro ultrassom para minha mãe, ela toda emocionada me pergunta:
- E aí? Chorou quando viu?
Ela ficou cho-ca-da quando eu disse que não...

Quando fiz esse primeiro eu estava com quase 10 semanas de gravidez. Por inexperiência, JURO que, ao começarem as imagens, achei que o médico fosse me dizer algo como:
- Está vendo aquele grão de feijão? Então, aquele é seu bebê...

Quando vi a imagem (da foto acima) tomei um susto gigante!!!!Já tinha um protótipo de bebê ali!!!

Como eu tinha emagrecido muito nas primeiras semanas - estava um palito e, consequentemente sem barriga alguma - a ficha de que estava grávida não havia caído até aquele momento.
Quando vi aquela imagem foi quase um: Nossa! É real, está ali e é meu! Ok, confesso que também pensei: Puts! Ferrou! Agora não tem volta...

Bem, os exames seguintes foram diferentes, mais gostosos - até pq, esse primeiro demorou 20 segundos (ok, este post está sujando um pouco a imagem do laboratório; nem ligo!) -, curti mais ver, ouvir, perceber e agradecer tudo isso! E esses sentimentos só aumentam... E numa velocidade incrível!!!