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terça-feira, 21 de maio de 2013

Realidade e imaginação

Faz certo tempo que Luna vem desenvolvendo uma relação diferente com o brincar. Até seus dois anos, a boneca era só um objeto que ela gostava de carregar e abraçar; quando terminávamos de ler um livro, a história ficava toda dentro dele assim que era fechado; as relações familiares eram “tradicionais”: eu era a mãe, ela, a filha, Silvio era o pai e minha mãe, a avó.

De alguns meses pra cá fui notando que ela passou a criar brincadeiras e que sua imaginação começou a experimentar. Acredito que todos que estão próximos dela sempre possibilitaram ambientes onde ela tinha liberdade para se expressar, tanto em casa, como na escola ou nas casas das avós.

Aposto também que o afeto tem papel fundamental nessa “tradução do mundo real”, pois de nada adiantaria estimular o lúdico de forma automática e sem envolvimento carinhoso dos cuidadores. Por exemplo: faz algumas semanas que Luna resolveu inverter os papéis: agora ela é a mamãe e nós somos seus filhos. Ela sempre foi muito carinhosa, mas a maneira como se comporta quando está no papel de mãe me espantou desde o começo: é um abraçar e beijar constante, sempre pede que deitemos e nos nina com músicas e afagos. Acho que isso só acontece, pois ela vivencia este tipo de relação desde que nasceu; ela imita gestos e comportamentos que são comuns no seu dia-a-dia e que já estão internalizados. “O que dá vida à criação e ao brincar infantil é o mundo interno de desejos e sentimentos da criança.”

Outra situação recorrente em casa é a transposição do livro para as brincadeiras em família. Sempre lemos histórias diversas, alguns clássicos conhecidos e outras de autores novos. Mas desde o começo Luna se encantou – se esta for mesmo a palavra certa – pela personagem do Lobo Mau. Quando sentávamos na cama pra ler, o primeiro livro que pegava era Os Três Porquinhos. Como em casa não sabemos contar uma história sem “entrar nas personagens”, acabamos dando certa vida a todos eles, inclusive ao vilão: a voz é grossa e os sopros nas portas fazem voar os cabelos de Luna. E eis que a pequena começou a falar no assunto, mesmo quando estávamos entretidos com outra coisa. Primeiro apontava todo canto escuro dizendo que o “lobo” estava ali; não tinha um tom de medo na voz, mas a lembrança era constante. E a saída foi explicar que o tal do Lobo Mau mora somente nas histórias; que nas florestas temos os lobos, mas aí é diferente. De uns tempos pra cá, ela começou a lidar com a história de outro jeito, agora ela era o peludo: olha pra gente com cara de brava, mostrando as “presas”; “garras” na frente do corpo. E foi natural, não uma sugestão nossa. A gente, claro, entra na brincadeira. Segundo a Dra. Vanda Cristina Moro Minini, os “temores de uma figura imaginária amedrontadora, formada em sua mente a partir de seus próprios impulsos e sentimentos, podem ser enfrentados em uma brincadeira de monstros e fantasmas”.
Recentemente a menina com a capa vermelha também entrou na lista das histórias preferidas, e novamente o lobão voltou a aparecer. Outra coisa interessante que a Dra. Vanda diz é que, “embora no faz de conta exista a fantasia e a imaginação, ela só se torna presente por que existem elementos da realidade circundante, que é decisiva para o surgimento da brincadeira.” Ou seja, as histórias são fantasia, mas como os livros (com figuras) - no caso de Os Três Porquinhos – e o teatro – no caso de Chapeuzinho Vermelho - existem no mundo real, Luna não sabia se aquilo existia mesmo ou se era fantasia; e agora, que está começando a compreender, acabou “entrando na personagem”.   
              
Da mesma forma que me preocupo muito em criar ambientes lúdicos e passar o maior tempo possível com Luna realizando atividades construtivas, sei que preciso praticar intensamente o exercício do desapego e deixar a cria brincar sozinha; não sei direito lidar com essa necessidade das crianças e fico achando que ainda preciso estar o tempo todo junto. Estou tentando, estou tentando... Mas às vezes acontece sem querer: eu e Silvio precisamos cuidar da casa ou trabalhar e Luna acaba tendo que ficar brincando uns minutinhos sem nossa participação na sala ou no quarto. E em momentos como estes percebo que ela cria situações onde se expressa através de seus brinquedos; sinto que ali ela reflete através de bonecas, carrinhos e outros objetos, diferentes experiência que já teve com o mundo e com seus próprios sentimento e pensamento; fala muito sozinha e com seus brinquedos; e assim cria novos elementos, constrói novas realidades a partir de suas necessidades. Ali ela pode ser quem ou o que quiser.

Aurélia Regina de Souza Honorato diz que “mesmo que uma vivência seja fantasiosa, o sentimento que ela traz é da realidade. São os sentimentos influenciando a imaginação e a imaginação influenciando os sentimentos”. Concordo plenamente!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Conversa na madrugada (Da série 'Curta do dia')

Luna fica na escola período integral; e praticamente todos os dias tira uma soneca depois do almoço. Mas às vezes a bagunça tá tão boa que ela simplesmente não quer perder tempo deitada na cama.

Ontem foi um desses dias. Quando Silvio a pegou na escola, no final da tarde, ela tinha acabado de dormir e não acordou nem quando chegou em casa, quando Silvio a tirou da cadeirinha do carro. Sabemos que quando é assim, seu corpinho quer descansar até o dia seguinte.

De madrugada acordo com ela sentada na cama dizendo “Peta? Peta? (chupeta)”. Meio múmia, meio zumbi, procurei a chupeta na cama, devolvi à ela e fiquei olhando aqueles olhinhos que me pareceram muito bem acordados. E aqui uma confissão sem culpa alguma: se o cansaço é muito, muito tipo ontem, minha única reação é pegar a pequena e levá-la pra minha cama, assim garanto que não precisarei mais levantar por qualquer motivo que seja. Como cama de mãe tem sonífero, assim que deitou a cabeça no meu travesseiro, Luna dormiu.

E dormimos todos sem interrupção? Acho que não...

Lá pelas tantas – vai saber a hora... – acordo com um “Mamããããe! Mamããããe!”, com uma voz animada como se fosse quatro da tarde. Quando meu consciente voltou das profundezes do mar, percebi que o mundo caía lá fora. O barulho da chuva era similar ao de uma cachoeira que estivesse na cabeceira da cama. Assim que percebeu meus movimentos, Luna começou: “Alulho! (barulho) Alulho! Tatai (papai) banho onete (sabonete)”. Sem perceber que o pai estava deitado ao seu lado, Luna relacionou o barulho da fúria de Poseidon ao do chuveiro e repetiu mais algumas vezes: “Alulho! Tatai banho onete”.

Achei aquela conversa tão engraçada e a linha de raciocínio tão interessante pra uma criança tão pequena... Mas eu não queria deixar Luna com “informações erradas”. Disse que o papai não estava tomando banho, que ele estava deitado ao seu lado. Ela olhou pra ele e passou a mão em seu rosto. Eu expliquei que aquele barulho era de chuva. “Uta?” “Sim, filha, chuva, lá fora.”

Ela parou, me olhou e a minha credibilidade durou cinco segundos: “Alulho! Tatai banho onete.” Entreguei os pontos. Os segundos depois foram de convencimento pra que ela voltasse a dormir. Beijei sua bochecha e virei de lado. Acho que a explicação funcionou, ou foi o barulho da chuva que a adormeceu de novo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A notícia ao contrário

Cena clássica: mulher chega perto do marido, namorado, ficante ou transa de uma noite, mostra o teste de farmácia e diz “Estou grávida”. Surge assim um leque quase infinito de possíveis reações que a grávida pode esperar do homem que está na sua frente.
Mas e quando acontece o contrário?! E quando é o homem que engravida?
Indo na contramão, como muitas coisas em nossas vidas, foi Silvio que me avisou que eu não era mais uma só.
A história que a mulher sente que está grávida mesmo antes de ter qualquer confirmação médica (ou farmacêutica) funcionou pra mim. Doze horas após o atraso da menstruação eu tinha certeza que havia algo “errado”. Os sintomas da gravidez começaram no dia seguinte e fui ficando mais tensa a cada hora que passava. Como as amigas a quem eu havia contado sobre a questão me diziam que eu não deveria me preocupar e que, quanto mais nervosa eu ficasse, mais atrasaria a descida do fluxo, aguentei quatro dias – quatro séculos – para decidir fazer o teste de farmácia.
Peguei Silvio no trabalho e fomos juntos comprar o temido palitinho. Entramos no shopping e fui direto para o banheiro. Foi o xixi mais misterioso da minha vida; nem os coletados em laboratórios, naqueles potinhos de plástico, me deixaram tão incomodada.
E foi quando eu senti que, dependendo do resultado, eu precisaria do Silvio junto comigo, que eu não aguentaria estar sozinha dentro de um box, no banheiro de um shopping. Imediatamente me vesti e fui sentar ao lado do pai da Luna. Entreguei o palitinho a ele.

Após minutos intermináveis...
Silvio, com a calma de um budista: Li, você tem plano de saúde?
Eu, começando a tremer: Sim, por quê?
Silvio: Porque iremos precisar, deu positivo.
E a continuação desta história está com um ano e oito meses. Cada vez que olho pra ela, penso como aquele dia tão difícil se tornou o maior amor da minha vida. E poderemos um dia contar que papai, num caso "raro" de desequilíbrio emocional da mamãe, ficou sabendo antes de mim que Luna estava chegando.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Quando nasce uma filha, nascem contadores de histórias; e o resto também é consequência.

O primeiro contato que Luna teve com livros foi com pouquíssimos meses de vida. Eram aqueles com apenas fotos de bichos, sendo que uma parte da foto era coberta por tipos de tecidos que imitavam a textura de pele, pelos, penas e escamas daqueles respectivos bichos. Ela teve (tem) três e adorava passar os dedinhos no pelo do carneiro, nas penas do patinho ou na pele grossa do elefante. Luna desenvolveu o tato enquanto aprendia sobre os animais.
Uma segunda leva veio quando Silvio se deparou com uma promoção de livros com histórias da Disney, Pixar e afins. Os livros são lindos, mas contém muito texto pra pouca imagem, o que não despertou muito o interesse da pequena. Conseguimos um tempo depois os livros Festa no Céu, Chapeuzinho Amarelo e Advinha o Quanto eu Te Amo, os três através de um projeto do Itaú de doação anual de livros. Luna gostou um pouco mais, mas não eram mais interessantes pra ela do que brincar de massinha ou entrar na cabana de bolinhas.
Quando fez um ano Luna ganhou livros que a atraíram mais: um deles tinha um botão que imitava o barulho de um elefante e o outro foi um livro-poema sobre os “dilemas” de ser um bebê. E o mundo da leitura entrou em casa através destes dois. O primeiro com páginas duras e quase sem texto; mamãe contando como o elefantinho na selva – com vários outros bichos - bebia água, nadava no rio, comia frutas e encontrava com a mãe; fim. A cada virada de página vinha aquele barulho do animal protagonista, e um sorriso de felicidade no rosto da pequena. O livro-poema continha imagens bem familiares para a minha pequena: bebê chupando chupeta, com a fralda suja de cocô, tomando mamadeira, deitado no berço, lambuzado de papinha, entre outras. Identificação imediata.
Mas o mundo da “leitura” se iluminou quando fiz AS compras do ano na Bienal do Livro. Eram tantos stands infantis que deixariam qualquer mãe perdidinha, sem saber por onde começar. Como meu tempo era curto – pois trabalhei no stand da Secretaria da Educação e o tempo de almoço era contadinho – deixei o horário de descanso pra lá no meio da semana e fui bater perna. Tentei seguir a ordem dos corredores e fui scanneando o mais rápido possível cada pilha de livros. Tentei variar bastante: livro com quebra-cabeça, sobre alimentação de animais, sobre números, ações do dia-a-dia. E aí encontrei uma pilha com o tipo de livro que achei mais interessante pra Luna agora: poucas páginas, muito desenho – com traços bem definidos – e pouco texto; e percebi que o foco agora era desenvolver na pequena o gosto pela historia, pela narrativa; começo, meio e fim; despertar nela a vontade de conhecer “personagens” e saber o que acontece na página seguinte. É claro que a ideia é que eu e Silvio contemos as histórias, mas o começo do processo é esse mesmo, mais pra frente ela poderá ler o próprio livro. Olhei bastante coisa enquanto estive na feira, mas encontrei total identificação com o material da Ciranda Cultural e da Mundo Todo Livro.
Reorganizei a estante do quarto e separei uma prateleira só para os livros. Nossa rotina em casa à noite ficou diferente: colocamos o pijama e Luna vai até a estante escolher o livro que quer. Filha no colo e livro nas mãos. Nesse momento mãe e pai fazem despertar os artistas que existem dentro de cada um; e a história ganha diferentes tons de voz, caras e bocas. Luna geralmente é toda atenção, aponta pra desenhos já conhecidos e repete os nomes que já sabe. Sou a favor da tecnologia e sei bem o quanto ela pode ser benéfica para os pequenos. Mas não tem evolução digital ou gadget que substitua o prazer de ver seu filho virar página por página e se encantar com os desenhos ali no papel.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

22.02.2012 - As (in)definidas transições de fase


Aí fico pensando até que ponto essas delimitações valem para as mães.

Temos aqui dois lados da “mesma” moeda:
O primeiro é achar que nossos bebês não crescerão nunca. Estou bem no começo da jornada, mas já ouvi tantas vezes o mesmo tipo de pensamento que considero um sentimento universal. E imagino que é legítimo mesmo. Acredito que o tempo passa tão rápido (E como!) que é quase impossível pra uma mãe aceitar que sua cria já não é mais a mesma de meses ou até anos atrás. E aqui aparece todo tipo de situação: desde mães que “sofrem com o crescimento” dos filhos mais naturalmente e se adaptam ás mudanças de um jeito saudável; até mães que praticam o apego fazendo a mala e o prato de seus pequenos marmanjos.

E o outro lado é onde me encontro neste exato momento: achar que seu pequeno bebê já está tão crescido que você se esforça pra lembrar como ele era há poucas semanas atrás. Luna já manda beijo, mama sozinha, engatinha, sabe lavar a barriga, pentear o cabelo, limpar a orelha, encaixar algumas peças de brinquedo, desenhar com giz (rabiscos tão originais e artísticos!), beber no canudinho, dar piscadinha (isso entra na lista de “coisas inúteis que ensinamos aos nossos pequenos apenas porque achamos encantadoramente lindo e ficamos mostrando pra todo mundo!”) e neste feriado ela descobriu que consegue ficar de pé sozinha! Não, não é ficar de pé parada sozinha, mas estar sentada, apoiar mãos e pés e levantar! Quase morri de emoção quando ela fez isso pela primeira vez na minha frente. Tão de repente!

Alguns especialistas dizem que durante os primeiros dois anos de vida acontecem alguns saltos de desenvolvimento, onde os bebês descobrem uma nova habilidade e ficam tão entusiasmados que querem praticá-la o tempo todo; seus sistemas perceptivo e cognitivo mudaram, houve uma maturidade neurológica, mas não tempo hábil para adaptação às mudanças.

Mas peraê, e cadê o tal tempo hábil para que nós nos adaptemos a essas descobertas? Às vezes me pego pensando em tudo que vivemos até agora e sinto como se fosse ontem abril de 2010 que descobri a gravidez da Luna. Aí penso que isso realmente faz “muito” tempo e volto ao seu nascimento. Ah! Esse sim foi ontem janeiro de 2011. E hoje ela já anda! Minha bebezica tão cheirosa e fofinha já fica em pé e (praticamente) anda sozinha!

O mundo pode parar só um pouquinho pra eu descer e digerir tudo isso sem que mais mudanças e aquisições de habilidades e novidades aconteçam? Teoricamente (literalmente) ela ainda é considerada um bebê, mas faltam apenas cinco meses para que ela pule fora dessa classificação e se torne uma criança. Eu acabei de ser mãe de um bebê, não podemos continuar assim por mais um tempo? Por favooooor?

É claro que tudo é gradativo e na prática nada mudará, mas ser mãe de um bebê tem uma aura mágica que acho que pode “se perder” um pouco conforme os pequenos vão crescendo. Não sei ao certo, vou ali surtar viver e conto mais depois.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

16.02.2012 – Só uma lembrancinha – e a importância dos presentes

Não é uma regra, mas muita gente, ao virar pai e mãe, é acometida de um consumismo incontrolável; ou quase incontrolável, já que os orçamentos familiares se apertam “um pouco” nesta nova etapa da vida. Tudo que vemos, queremos comprar pros nossos pequenos; roupinhas, sandalinhas, brinquedinhos, tiarinhas e todos os itens que o extenso catálogo do setor bebê-infantil trabalha arduamente em desenvolver e deixar á nossa disposição.

Mas muita coisa que temos em casa (no carro, na casa das avós, e espalhados em todos os lugares possíveis) nos foi dada. Pelo menos no nosso caso é assim. Luna é a primeira bisneta, neta e sobrinha (da minha família) e sou uma das primeiras amigas (de todos os círculos) a ter filhos. Por aí dá pra imaginar a quantidade de coisas que todos os parentes e queridos já deram e estão sempre dando pra pequena, mesmo fora de época.
Minha mãe, louquinha da vida pela neta, dá presentes quase quinzenalmente. A madrinha da Luna – minha cunhada – e minha sogra deram presentes em todos os mêsversários da fofa durante seu primeiro ano. É festa junina? Dona Bete compra uma roupinha caipira. Luna vai entrar na natação? A avó vai e compra um maiô. Luna está sem touca pro frio? Dona Otília compra uma linda! Os bodys de calor estão ficando pequenos? A avó paterna sabe de uma loja que vende uns no tamanho 01 e até 02. E por aí vai...

E o final de ano é bem agitado:
Dia das crianças - 12 de outubro
Natal - 25 de dezembro
Aniversário da Luna - 13 de janeiro.
Dá pra imaginar a quantidade de coisas novas que entraram em casa em menos de três meses?!

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Luna ganhou um livro de bichinhos há alguns meses; na hora do banho “lemos” o livro mostrando cada animalzinho, seu nome e o que está fazendo. E é assim todos os dias. Ontem, pela primeira vez, Luna apontou o macaco quando perguntei por ele. E isso me fez pensar na importância daquele objeto, “apenas uma lembrancinha” que ela ganhou não me lembro quando.

Posso estar ‘viajando na maionese’ (ai que gíria tão 2001!), mas pensei que o desenvolvimento de um bebê tem muito (muito!) a ver com os estímulos que recebe de quem ama, de quem está perto e de quem dá carinho. Mas acho que tem a ver com os instrumentos que os pais, avós, tios e amigos se apropriam para dar conta dos estímulos. E não tem instrumento melhor do que tudo que está ali ao redor, como os brinquedos da sala, do carro, da banheira, do quarto.

O que quero (tentar) dizer é que ás vezes, um brinquedinho que alguém deu apenas como uma lembrancinha pode se tornar significativo de um jeito pra criança e permitir que ela aprenda um tanto com aquilo! Aquele bichinho, aquele livrinho, podem se tornar os preferidos daquele bebê e fazê-lo conhecer um mundão ali. Acho que são pequenas escolhas, nossas e de quem está “junto” que vão construindo as descobertas do dia-a-dia.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pé, pernas e o equilíbrio chegando de vez!

Completamente sem reação, fiquei ali sentada na sua frente, no tapete da sala, pernas cruzadas, com a boca aberta, olhos marejados, rindo-chorando de felicidade.


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O processo ‘ficando de pé sozinha’ começou no início de dezembro do ano passado. Com os dois braços levantados, chamávamos a atenção de Luna e pedíamos: Sozinha Luna, fica de pé sozinha. E rapidamente ela já sabia o que aquilo significava. Na maioria das vezes nos imitava por um segundo e, por conta do equilíbrio ainda em desenvolvimento, voltava a se segurava no sofá, na escada ou no móvel da sala. De vez em quando ela “roubava” na brincadeira e, ao se soltar, encostava o barrigão no objeto de apoio que estava na sua frente. E se sentia toda linda!



Mas estímulo que começa, não pode parar mais. Doses homeopáticas diárias e o tal um segundo virou dois e virou três. Vovô Gera teve papel fundamental nessa evolução, já que passou bastante tempo com a neta nestas últimas semanas.




Mas ontem foi incrível. Minha pequena, ali na minha frente, de pezinho, um “tempãããão” (pra uma mãe pareceu uma eternidade!); e pra finalizar, passinhos na direção do avô materno. Luna ter completado um ano na semana passada já mexeu demais comigo, mas aquela cena era demais! Dava pra ver os músculos e tendões de seus pezinhos se movimentando pra que o equilíbrio fosse mantido, mas ao mesmo tempo ela estava tão firme, tão segura, brincando com a corrente do avô.








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E num texto assim me pego “nostálgica”, lembrando da Luna, quando ela cabia inteirinha nos meus braços ou deitada no meu peito; quando ela tinha aquele hálito delicioso que era só dela, com um toque de leite e não leite e sopa de carne e mamão.



Essa vida é louca mesmo, permite um mundo de coisas novas e incríveis fazendo a gente transbordar de orgulho e amar nossos pequenos cada vez mais, mas tudo isso pra amenizar a saudade de tempos passados e de tudo que já experimentamos com eles; mesmo que esses tempos sejam poucos meses atrás.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

17 e 18.12.2011 - Praia em versos livres

Acordar muito cedo.

Muitas malas pra arrumar.



Calibrar os pneus.



E pé na estrada... Livre!











Dia lindo, céu azul.



Cochilo com o balanço do carro?



Não! Ela só queria saber de brincar.



Ouvindo rock e cantando bem alto.












Parada na metade do caminho.



Tomar “café”, banana e pãozinho.



Gira-gira, balanço, tirolesa e escorregador.



Luna, mamãe, papai, vovó e vovô.






Agora sim, o soninho da manhã.



Acordou na hora certa: Praia da Lagoinha!



Todos derretendo de calor.



Ajeitar tudo no quarto bem depressinha.








O pessoal da pousada era bem prestativo.



Usamos e abusamos da boa-vontade.



Esquenta mamadeira no micro-ondas.



Pegando isso e aquilo emprestado.









Vamos ao que interessa?



Biquíni, chapéu e protetor.



Piscininha, brinquedos e bola.



Mamadeira, água, frutas e bolacha.



Esteira, guarda-sol e toalhas.







Atravessar a auto-pista pra chegar na areia!



Muito cuidado e atenção!



Estamos quase lá.



Mais alguns passos e...



Olha o mar!






Sol de verão.
Muito protetor naquela pele branquinha.



Luna não queria ficar de chapéu.



Muita insistência com a Dona Teimosinha.







Praia tranqüila.



O mar, quase uma lagoa.



Chegado o momento tão esperado.



Como será que ela iria reagir?



Luna no colo.



Andamos até a beira da praia.



Bem devagarinho.



Pra acompanhar cada expressão.






Ela encosta o pé na areia.



E fica ali sentido a textura.



Vem uma ondinha e passa na sua perninha.



Pura emoção!

Água na barriga, só risadas!



E queria nos puxar e ir mais pro fundo.



Não sabia se segurava nossa mão ou batia a mão na água.



Não sabia se ficava de pé ou sentava.







A cada onda uma risada.



A cada onda uma festa!



A cada passo um sorriso.



A cada passo um gritinho!




Vovó foi sentar com ela no rasinho.



Guarda-sol acompanhando a pequena.



Balde, pazinha e potinhos.



Coloca areia na forminha.



Saiu um bolo bem durinho!






Mas Luna queria experimentar mais.



A textura da areia era curiosa.



Mão no chão e mão na boca.



Copo com água pra lavar.




Variando a brincadeira:




Bóia com perninhas.




Balançando na água.




Cuidado com as ondinhas.







Hora do almoço.




Banho pra tirar o sal.




A gente: peixe na praia.




Luna: descansando no carrinho, toda angelical.
































Precisávamos recarregar as energias.




Todos pra pousada.




Uma hora de soninho.




E ela acordou toda animada!







Vovô mostrava o piu-piu na arvore.




Apontava o pequeno animalzinho.




Luna procurava com o olhar.




E prestava atenção aos barulhinhos.





Mais um pouco de praia.




As fotos ficaram demais!




Observamos o pôr-do-sol.




Momentos muito especiais.













Mas o horário de verão engana.




Voltamos pra pousada às oito e meia!




Mais uma maratona antes de sair.




O passeio na cidade nos aguardava.







Todo mundo no mesmo carro.




O padrinho da Luna no porta-malas.




Um pouco de estrada e já chegamos.




O centro de Ubatuba.





































Muitas opções de restaurante.




Pizza, lanche ou comida?




Ficamos no a la carte de carnes.




A pequena dormindo gostosinha.







Para sobremesa: fomos ao Pistache.




Luna despertou na hora do sorvete.




Mamadeira pra fechar a noite.




Cafuné da vovó no carro.




E ela dormiu mais rápida que um foguete.










No café da manhã,




Luninha não queria muito o seu leite.




Devorou melão e mamão sem pensar.




E no colo não queria parar.







Vamos pra praia?




Diego e Silvio ficaram no hotel.




Santos X Barcelona tinha preferência.




Valia uma camisa oficial.








Enquanto isso, na areia.




Um cantinho na sombra de uma árvore.




Tínhamos que aproveitar o mar.




Porque o sol forte estava chegando.










Piscininha debaixo da árvore.




Distração sem fim.




Luna pára e se concentra. Faz esforço.




Bolinhas debaixo d’água.




Xiiiii! Biquíni cheio de cocô!







Luna resistiu pra dormir,




Aproveitando ao máximo a praia.




Mas o sono uma hora chegou.




Voltou no colo do pai, desmaiada.







Ainda dava pra aproveitar a piscina.




Mas onde deixar a pequena?




Silvio improvisou com a bóia,




Virou uma caminha perfeita.







Luna acordou meia-hora depois.




Querendo entrar na brincadeira.




Tchibum com o papai.




Eita menina bagunceira!







Hora de ir embora.




Arruma mala, arruma tudo!




Minha filha no meio do furacão.




“Conversando” com todo mundo.







O balanço do carro




Dessa vez deu certo.




Luna dormiu logo no início.




O tempo de viagem era bem incerto.







Uma baita chuva na serra.




Curvas bem perigosas.




15 kilometros de subidas.




Fiquei bem temerosa.







Clima quente em São Paulo.




Chegamos muito contentes.




Luna amou a experiência.




Obrigada, pais, pelo incrível presente.