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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Começando a fazer efeito...


Educação de filho é aquela coisa: a gente vive pesquisando na Internet, lendo livros, trocando figurinhas com outras mães e pais no mundo virtual ou presencial; mas no final das contas, a prática vem do coração. A relação com os filhos pode até ser embasada em conhecimento teórico, mas na hora do vamos ver, a gente acaba colocando pra fora o que acha que é certo.

Luna é super carinhosa, mas tem um gênio forte; é mandona e quer tudo do seu jeito. Quando contrariada, fica brava e muitas vezes levanta a mão pra bater em quem estiver discordando dela. Cada situação pede uma posição; mas na maioria das vezes a gente se abaixa, ficando da sua altura; olhamos bem em seus olhos dizendo que não pode bater porque machuca e explicando porque ela não pode riscar a parede (ou o sofá, ou a geladeira,...) com giz, subir a escada de casa pelo lado de fora, ou coisas do gênero. Quando calha de seu pequeno bracinho ser mais rápido do que nosso reflexo e ela realmente chega a dar um cruzado de direita tapa em nosso braço ou rosto, seguramos sua mão com firmeza e – num tom mais severo - repetimos o processo acima; mas dessa vez pedimos que ela dê um abraço e peça desculpas.  

Quando a gente discute com alguém - e quando parece que a razão é nossa - a última coisa que queremos é abraçar e beijar aquele que acabou de discordar de nós. Sei que pedir pra Luna se desculpar é ir contra este pensamento, mas acho importante que ela entenda que fez algo errado e que precisa “consertar” a situação, possibilitando que algo concreto seja feito por ela. Se a insistência na solicitação não funciona, digo que estou triste e que ficarei esperando que ela queira vir dar o abraço, para só depois voltarmos a brincar. Na maioria das vezes ela fica quieta por um tempo, meio sem graça e vem em minha direção devagar; dá um abraço ou um beijo tímido e a palavra “desculpa” só aparece se eu a lembro de dizer naquele momento.

Ontem Luna estava num dia mais enjoadinho, não querendo muita brincadeira de contato físico, preferindo andar mais solta pela casa, brincando com o que quisesse, na hora que quisesse. E aqui entra minha mea culpa: o amor que sinto pela Luna é demonstrado de diversas maneiras e uma delas é a necessidade muito grande que tenho de abraçá-la e beijá-la sempre que posso; mas sei que às vezes exagero. Num dia normal, ela se importaria menos com tanto excesso de carinho; mas não foi o caso de ontem. E num determinado momento Luna ficou realmente irritada com a mãe chiclete: fechou a cara, brigou comigo e me deu as costas. Assumindo meu lado criança – e depressiva por saber que o feriado estava acabando e eu passaria o dia seguinte fora no trabalho - disse á ela que estava triste; fui sentar no sofá e não tirei os olhos da TV (só porque Silvio estava no sofá ao lado, claro!). Depois de um tempo, sinto Luna subindo no sofá e suas mãozinhas se apoiando no meu ombro. Antes que eu pudesse olhar, recebo um beijo molhado na bochecha e escuto a palavra ‘Ditupa’. Como resistir? Apertei a pequena nos braços, dei uma beijoca rápida nela e a soltei antes que a situação voltasse a ficar como estava poucos segundos atrás. E sei que o clima só fechou anteriormente, porque eu não dei espaço e sufoquei minha cria.

Mas a questão é que a atitude dela em relação à minha reação exagerada foi espontânea! Acho que ela entendeu o que significa – num determinado nível - ação e consequência, entendeu que bater deixa as pessoas tristes e que isso pode ser “resolvido” com um pedido de desculpas; acho que entendeu o simples gesto de reconciliação. Agora é continuar beijando e abraçando loucamente deixar o barco rolar e ver como ela se comporta nos próximos momentos de conflito.  

sexta-feira, 2 de março de 2012

02.03.2012 – Verbos no imperativo

Outro dia estava brincando com a Luna (vejam bem, brincando!) e diante de alguns “monólogos com ela” – por enquanto – me peguei pensando na quantidade de verbos no imperativo que dirigimos aos nossos filhos; desde tão cedo.

Eles variam dos mais simples como dance, deite, coma, beba, durma, ande, engatinhe, levante, sente, pegue, desenhe; até alguns um pouco mais complexos como levante os braços, lave a barriga, coloque a presilha no cabelo da mamãe, diga papai, fale banana, limpe a boca, abra o pote e por aí vai.
Claro que a grande maioria deles, pelo menos no meu caso, possui muito carinho no tom de voz e na intenção da “ordem”.

Sei que a idéia principal é ensiná-los; e aí penso que um ‘por favor’ não faria a menor diferença neste caso – novamente, por enquanto - nem pra nós, muito menos pra eles. O imperativo é a forma mais curta e clara de dizer alguma coisa aos nossos pequenos; e algo antes, durante ou depois só poderia confundi-los.

É que ás vezes me sinto mal de estar o tempo todo mandando pedindo pra Luna fazer isso ou aquilo. Muitas vezes é para ir, aos poucos, ensinando a filhota sobre as coisas do cotidiano e como se tornar (bem aos poucos!) independente. E sabemos que conseguir realizar pequenas ações estimula a confiança e os tornam crianças mais felizes. Não é á toa que, quando executam algo que sabem que aprovamos, eles são os primeiros a bater palminhas e exibir um sorrisão semi-banguela no rosto.

Só que muitas “ordens-fofas” são apenas isso, comandinhos pra que Luna faça algo exclusivamente para que eu me derreta e babe nela, pensando que minha filha é a criaturinha mais engraçadinha do mundo. Ensinamos Luna a piscar e quando ela fecha os olhinhos, apertadinhos, acompanhando o movimento com uma caretinha delícia, fico com vontade de pedir que ela repita o gesto um milhão de vezes. Mas, né?! Pra que mesmo?! Tipo, que saco, mãe!

Por outro lado, acho que eles têm um sistema interno de proteção que bloqueia os movimentos do corpo (e do ouvido) quando eles não estão a fim de cair na nossa manipulação materna. Isso acontece muito quando queremos mostrar como eles são espertos e simpáticos para as visitas, parentes, amigos e afins. É de lei... Lei de Murphy! Só que esses não são os únicos casos. Luna, mesmo em casa, quando está distraída com algo mais interessante do que a voz da mãe dela, simplesmente ignora minhas súplicas de atenção. E ponto.

Enfim, só parei pra viajar um pouco como, mesmo “sem querer”, recebemos ordens a vida inteira... Inteira mesmo!!!