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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tradição garantida


Também pertenciam ao conjunto original: um tamanco preto, um grande colar dourado, um avental sobreposto a saia e botões fechando o colete. Mas o fato destas peças terem se perdido ao longo destes 26 anos não teve tanta importância no resultado final. 

O "desapego" à lembranças materiais que cresce ano a ano - um tanto quanto necessário, visto a quantidade de experiências que consumimos diariamente - teve uma sobrevivente na nossa família. Ela teve um cantinho guardado nos armários, resistindo a cada faxina, a cada limpeza. Como nunca esteve comigo, eu não saberia dizer o que motivou minha mãe (e posteriormente minha tia) a guardarem com tanto cuidado a saia, a blusa, o colete e o lenço, trazidos de Portugal pelo meu avô há mais de duas décadas.
 

Ao descobrir que estas roupas ainda existiam quando Luna nasceu, contei os dias para repetir o "ensaio fotográfico" lusitano. E finalmente conseguimos! E a cada peça vestida voltava a lembrança do meu velho, com aquele sotaque delicioso, com as piadas escrachadas e a dentadura solta. Tenho certeza que Seu José soltou um riso divertido - de onde quer que esteja - ao ver a bisneta usando as roupas que ele mesmo escolheu, numa das viagens à sua terra natal.

Que os registros aumentem a cada nova geração. No nosso guarda-roupas, o conjunto já tem lugar reservado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Vô, vó; vô, vó


Já vi muitos posts - em diversos blogs - serem dedicados exclusivamente para o compartilhamento de fotos de um passeio específico da família ou de um acontecimento importante; quase sem texto mesmo, apenas dizendo coisas como “Esse final de semana fomos ao parque e vejam que delícia”. Acho que cada um tem seu motivo para tornar público esses registros. Mas nunca fiquei sequer tentada a fazer algo do gênero.

Bem, quando está inspirado, Silvio tira umas fotos bem legais, mas a realidade é que eu sou a “fotógrafa” mala da família. Se a máquina fotográfica criasse vida própria, fosse se esconder atrás da caixa de ferramentas e eu me esquecesse dela, Luna não teria quase registros nenhum dos seus dois primeiros anos de vida. A não ser quando minha mãe está por perto; acho que a contaminei com o ROC (Registro Obsessivo Compulsivo). Tenho me controlado bem, mas algumas vezes ainda preciso que Silvio me diga pra parar de clicar ou gravar.

E neste final de semana resolvi levar a máquina fotográfica pra casa da minha sogra. Combinamos de passar o dia lá; e um dia naquela casa - com aquelas duas primas - pode render fotos ótimas; já que é cheio de ação.

Eu adoro planejar passeios pra família. Como o Silvio diz, não consigo ficar um final de semana em casa. Se tem um dia “livre”, já imagino de irmos ao Sesc, à praia, ao parque, zoológico, teatro... Mas vendo as fotos que tirei naquele domingo, na casa da sogra, comecei a pensar em quanto tempo Luna passou – durante seus dois anos de vida – na casa das avós.

A família do Sil tem o ritual do ‘almoço de domingo’: avó, avô, tias, tio, prima e Frodo (o gato da casa); portanto, pouquíssimas vezes deixamos de visitar o lado paterno da família no final de semana. Do meu lado, Luna é a primeira neta, bisneta e sobrinha-neta. Minha mãe sempre quis ser avó e meu pai é completamente louco pela minha filha - e até já confessou sofrer fisicamente de saudade. Então nos vemos com bastante frequência, afinal, não quero que ninguém tenha um ataque cardíaco por questões emocionais. Pra ajudar a aproximação, minha mãe super quebra o nosso galho pegando Luna na escola quando não podemos; ou quando queremos ir ao cinema, sair pra dançar ou ficar em casa e dormir até um pouco mais tarde. Portanto - tirando a escola e nossa casa - as casas das avós são locais muito íntimos pra ela.

Hoje se fala muito na importância da participação dos avós na vida e na educação dos netos. Claro que tem muita coisa pra ser discutida sobre isso, mas olhando pra nossa família eu não poderia ser mais grata pela constante e amorosa presença dos quatro membros mais velhos (tirando os dois bisavós) na criação de Luninha. O bom disso tudo é que ela tem experiências bem diferentes nas duas casas: cada um dos quatro possui qualidades que se complementam e fazem Luna enlouquecer de felicidade quando dizemos que vamos visitá-los.

O GNT tem um programa que eu adoro: Quebra-cabeça. Ele aborda o universo infantil e tudo que gira em volta dele. Cada episódio fala sobre um tema específico; conta com depoimentos de especialistas e apresenta casos e personagens reais, de uma maneira muito deliciosa. O programa dedicou um episódio para falar sobre a relação ‘avós e netos’ e encontrei um dos depoimentos exibidos:

                 

Bem, imagens dizem mais do que palavras…

 E tem até a foto do Frodo, tirada pela pequena fotógrafa.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Uma foto, um pente e uma nova descoberta.

Luna foi "sequestrada" na quinta-feira passada pelos avós maternos.
Os dois estavam de férias e fizeram o gigantesco favor de levar minha pequena ao pediatra, já que eu tinha uma videoconferência na parte da manhã e Sil estaria em Santos.


Como eles saíram do consultório depois do meio-dia, resolveram que não valeria a pena levá-la para a escola. Isso tudo foi desculpa pra ficar mais com a neta, é claro!

E daí que eu estava vendo as fotos que eles tiraram neste dia - minha mãe é a maluca da máquina fotográfica - e me deparei com esta aqui:



Olhando direito, vi que Luna segurava um pente na mão que estava atrás da orelha. Na hora nem pensei em perguntar nada aos meus pais e guardei essa informação pra mim.
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Estávamos em casa ontem e eu havia acabado de dar banho na gordinha. Cabelo molhado. Hora de pentear.

E me lembrei da foto.

Resolvi fazer um pequeno teste: entreguei o pente na mão da minha pituquinha e pedi: "Olha o pente filha; vamos pentear o cabelo?" E não é que sua reação foi pegar o pente e passá-lo na cabeça?! Ok, ok, foi uma coisa bem desengonçada, mas a questão é que ela sabia o que fazer com aquele objeto! Ousei um pouco mais e pedi que ela "penteasse o cabelo da mamãe". Ela inclinou seu corpinho pra frente e começou a passar o pente - do lado contrário - na minha cabeça.

Depois da minha típica reação de pegá-la no colo, abraçá-la e beijá-la até ela reclamar, coloquei-a de volta no trocador e continuamos brincando. Ela já uma outra filha e eu, uma outra mãe.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

25.11.11 - Macaquinha amestrada...


A cada dia que passa Luna fica mais engraçadinha, tipo em progressão geométrica. E aprende coisas novas o tempo todo. E isso a torna a macaquinha amestrada da família pois é claro que todo mundo fica pedindo que ela faça isso ou aquilo o tempo todo.



Por exemplo, meu pai passou creme hidratante na mão e cheirou, dizendo: "Nossa, que cheiro gostoso!". Aproximou sua mão do rosto da minha mãe e ela também cheirou, repetindo mais ou menos a mesma frase. Ele estava com Luna no colo e, quando colocou a mão próxima ao rosto dela, ela inclinou levemente seu corpinho pra frente e encostou o nariz na palma de sua mão.



Na casa deles também fica um cachorro de brinquedo com uma espécie de ábaco na parte de cima; um arco com as pecinhas coloridas para o bebê mexer. E Luna começou a pacientemente passar as pecinhas, uma por uma, de um lado a outro do arco. Ela faz uma pinça com seus pequenos dedos gordinho e pega cada pecinha na pontinha, levando-a pro lado oposto de onde ela se encontrava. Quando acaba, faz tudo de novo, pro outro lado.



Há meses Luna se tornou uma beijoqueira assumida. É só pedir um beijo que ela solta um no ar, bem estalado, com a boca aberta mostrando seus dentões de coelhinha. Mas Dona Otília - avó paterna - começou a ensiná-la a dar beijo na bochecha; Luna encostava os lábios no rosto da avó e mandava aquele beijo barulhento. Comigo isso nunca deu certo. Depois de algumas semanas, comecei a pedir esse beijo "avançado", apontando o dedo indicador na bochecha e esperando a reação dela. Não é sempre que ela está com vontade, mas quando está ela me dá um beijão de boca aberta, sem barulho, sem nada, mais uma babada na bochecha. Mas é uma delícia, cheio de afeto.



Aos anos cinco de idade Silvio ganhou de seu tio – irmão de sua mãe, que também chamava Silvio - um pequeno cachorro de pelúcia. Como tinha paixão pelo tio, guardou com carinho o bichinho durante todos esses anos. E hoje o pequeno passou de pai pra filha. Antes o peludo ficava na estante de brinquedos, no quarto dela. Depois de uma crise alérgica e uma consulta com um pediatra alergologista – que proibiu pelúcias expostos pela casa -, o animal indefeso foi parar dentro do armário, quase esquecido. Um belo dia resolvi tirá-lo dali e deixá-lo na caixa de brinquedos da Luna, na sala. E em todos os momentos de brincadeiras, eu e Silvio sempre pegamos o cachorrinho pra entrar na brincadeira, apresentando-o á pequena: Filha, olha o cachorrinho, como ele faz? Au au!


E não é que ela aprendeu?! Sempre que Luna vê um cachorro na rua ou na casa de alguém, ela olha encantada e trata logo de cumprimentá-lo: Au au. Na verdade sai um “Auá”, mas é porque ela tem um estilo personalizado de conversar com os bichos.



E a mais recente descoberta: sabem quando a gente passa os dedos pelos lábios, um por um, começando pelo mindinho, de cima pra baixo, fazendo um barulho engraçado como se estivéssemos os tocando igual a um instrumento? Brincando com Luna desse jeito hoje de manhã, ela tira a chupeta e começa a nos imitar. E no carro, a caminho da escola, a mesma coisa.



Cada conquista, cada descoberta do mundo e de seu próprio corpo é tão cheia de significados! Os bebês nos encantam também por isso, nos fazem lembrar as pequenas coisas da vida. Luna me ensina a cada dia a importância da paciência e do amor; me ensina o valor que tem a “simples” descoberta de encaixar um brinquedo no outro, de experimentar um sabor novo, de falar – e repetir e repetir - uma sílaba que era desconhecida.



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

15 e 16/10/2011 – Vamos a la playa oh o-o-o-oh

Minha mãe é louca por praia. Quando éramos crianças, nas férias, passávamos o dia sem voltar pro apartamento, ela levava todo o kit sobrevivência pra areia e lá ficávamos até o final da tarde: protetores, toalhas, bolas, revistas, lanches, sucos, bolachas, frutas e tudo que coubesse na bolsa térmica.



Desde que Luna nasceu tenho vontade de levá-la pra ver o mar; colocar seus pezinhos na areia e perceber a reação dela ao sentir a ondinha passando por suas pernocas gorduchas. E o mantra “Tudo a seu tempo” me acompanha desde então.



Há algumas semanas esse assunto entrou na família: meus pais passaram um final de semana em uma pousada em Ubatuba e gostaram tanto que querem nos levar. E ficamos nessa de marcar a tal viagem pra Ubachuva. Foi quando pensei: por que esperar tanto, se podemos ir pra Praia Grande, no apartamento singelo e delicioso da minha avó, de frente pro mar?



“Arght! Praia Grande?!”. Pois é, eu sei que isso é só uma das questões que envolvem a diferença entre os litorais de São Paulo, mas lá, pelo menos, o sistema de esgoto é incrivelmente melhor do que da maioria das praias do Litoral Norte, pois encaminha toda sua podridão para as profundezes do mar, e não para a beira do mar.



E daí que, depois de um par de finais de semana com a agenda cheia, marcamos de ir no último sábado, dia 15 de outubro.



Acontece que, durante a semana, o tempo foi levemente esfriando; mas como sou esperançosa na vida, fui tocando os dias, mentalizando pra que São Pedro parasse de soprar o cata-vento do mundo e deixasse o sol sair. Mas e daí que o puto tava de TPM e não colaborou com nossa viagem. Na sexta-feira jantamos nos meus pais e, ao entrar na Internet, o Clima Tempo informou: dias e noites chuvosas e temperatura por volta dos 13 graus. Não que eu desse muita credibilidade para essas previsões meteorológicas, mas que não seria um final de semana pra ficar de biquíni, isso eu senti que não seria. Pelas conversas ali, naquela hora, pareceu que todo mundo havia topado ir, com o céu preto, cinza, amarelo ou lilás; afinal estava tudo comprado e organizado, não teríamos outro final de semana antes do final de novembro e seria bom para, no mínimo, Luna respirar um ar melhor do que o de São Paulo.



Acordei no sábado, olhei pela janela e comprovei o pior, o tempo estava feio pra dedéu. Fiquei na minha. Fui arrumar tudo, e – mesmo não precisando levar comida, roupa de banho ou roupa de cama - esse tudo é muita coisa.



Faltando quinze minutos pra sair, aquele velho de barba branca que chora mais do que a Luna quando demoro pra levar a sopa na hora do jantar, resolveu nos presentear com uma chuva grossa e petulante. E sabem no que isso resultou? Um marido de bico até chegarmos à praia, onde a chuva persistia em cair.



Meus pais foram antes, pra deixar tudo limpo e ajeitado quando chegássemos (Nhóm!). Com o dia daquele jeito, o plano era ficar brincando com a Luna no apartamento e descer no parquinho no prédio, onde tem aqueles brinquedões de plástico para crianças pequenas; amém!



Depois do café da manhã, Silvio resolveu tirar um cochilo.



Abre parêntese.



http://www.dicio.com.br/cochilar/ - Significado de Cochilar



v.i. Adormecer quase sem perceber e dormir pouco tempo; dormir sono leve e passageiro.



Fecha parênteses.



A não ser que a Terra tenha dado um giro de 720º em questões de segundos e tenha bagunçado (ainda mais) a noção do tempo, o período de sete horas que Silvio ficou deitado no quarto, de olhos fechados e corpo mole, não se constituiu como cochilo. Meu maridinho estava tão exausto da semana de trabalho que desmaiou e não teve Cristo (= sogro) que o fizesse levantar, nem para almoçar.

Nesse meio tempo, almoçamos, brincamos com a pituca, fomos na piscina do prédio tirar foto de frente pro mar - ou de costas, sei lá, tava longe mesmo – demos banho, fruta, mamadeira; assistimos filmes, jogamos conversa fora e combinamos com um casal de amigos dos meus pais – Tita e Jorge – de jantarmos na Casa da Kátia, uma pizzaria delícia que fica na ponta da praia.




Lá na pizzaria, Luna sentou sozinha, pela primeira vez, em um cadeirão de restaurante. O modelo disponível não dava muita segurança, era completamente aberto na parte da frente. Aí, papai MacGyver pegou uma fralda de pano, amarrou aqui e ali e pronto, tínhamos um cinto do Batman improvisado.

Como minha fofura – mesmo de barriga cheia - não pode ver comida, acabei dando uns pedacinhos de ovo (somente a clara) e ervilha da pizza portuguesa, pra deixar a bichinha sentindo que estava participando do momento de confraternização.



Fui dormir com aquela esperança no coração de que o domingo amanheceria ensolarado. E o domingo amanheceu ensolarado, mas o sol estava completamente coberto por nuvens cinzas e carregadas. Então, dando a guerra por vencida, pensamos em tomar café, arrumar todas as malas e ir visitar o Aquário Municipal de Santos, só pra variar um pouco a programação.



Acontece que tivemos dois fatores que foram determinantes neste dia: perdemos uma hora do dia por conta do início do horário de verão e o Silvio - o pai da Luna, sabem - não havia dormido o suficiente no dia anterior e só foi acordar às nove e meia da manhã. Eu falei "foi acordar"? Desculpem, ele foi acordado, caso contrário, sabe Deus, estaria dormindo até agora. O jeito foi fazer hora por ali mesmo, brincar com Dona Luna e ir arrumando tudo, aos poucos.



Fomos almoçar num restaurante ali no Boqueirão e acabamos voltando - eu, Luna e Silvio - antes dos demais; o Silvio queria assistir o jogo do Corinthians, às quatro da tarde.



Não vou dizer que não fiquei mega frustrada, que queria demais ter atravessado a avenida na frente do prédio e ter pelo menos pisado na areia. Fiquei chateadíssima. Mas tudo vale à pena quando a alma não é pequena deu pra família ficar junta, se divertir, descansar, respirar um ar um pouco "menos pior" do que o de São Paulo.



E como pra ser feliz basta focar no lado bom das coisas, acho a viagem não foi em vão; não, não.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

03/09/2011 – Abandono de menor

Parecia um show inocente. Ir prestigiar um amigo do trabalho que iria tocar em Pinheiros numa sexta-feira á noite.
O plano era: deixar Luna com meus pais, jantar comida mexicana no El Kabong, atravessar a rua e entrar no pub de rock pra passar a couple of hours, pegar Luna na minha mãe e ir pra casa descansar o que fosse possível, já que Luna acorda lá pelas sete da manhã, cheia de energia.
Tudo correndo como combinado... Até a banda começar a tocar.  Ajuda o fato de o show ter começado meia noite e meia, uma hora e meia depois do previsto.  E sabe como é. Estava gostosinho, e fomos ficando e ficando. Quando deu o intervalo da banda, não haviam tocado nenhum rockabilly, ou qualquer variação dele. E hoje em dia, uma das minhas maiores frustrações é sair esperando dançar, uma música que seja, e não conseguir nem dar um giro sequer na pista. Mas precisávamos voltar, pegar Luna e dormir, caso contrário, estaríamos um bagaço no sábado.
E daí que, pra ficar mais no show, veio a brilhante idéia do Silvio de deixar Luna dormindo na minha mãe, ir pra casa e encontrá-los no sábado na hora do almoço.
O quê?! Ir pra casa sem minha pequena, dormir sabendo que minha pequena não estaria no quarto ao lado, acordar sem ela em casa?! Nunca! Não!!! Não!! Não! Não? Por que não? Afinal, ela estava na casa da minha mãe, dormindo limpinha, alimentadinha e quentinha e provavelmente não acordaria pra nada de madrugada. Mas e eu? Ficaria órfã de filha?! Pensando bem, Luna é a bebê mais maravilhosa do mundo, não tenho do que reclamar; mas a rotina me faz chegar na sexta-feira só o pó da rabiola e poder dormir até x horas não seria nada mal.
Telefonema dado, sugestão aceita pela avó de Luna. E a noite continuou com um bom rock n’ roll.
Chegamos em casa no meio da madrugada, sem neném pra tirar do carro ou mil bolsas pra carregar; sem neném pra colocar no berço, dar beijo de boa noite e fazer um carinho. Acordamos lá pelas tantas da manhã, sem choro de neném, sem fralda pra trocar ou mamadeira pra dar.
Gostoso? Relaxante? De jeito nenhum! Senti um vazio no peito sem tamanho. A casa parecia sem vida. Que coisa mais esquisita. Só sei que comecei a apressar o Sil pra sairmos logo e ir encontrar Luna na casa da minha mãe. Reencontro com abraços apertados e com afirmações categóricas de que isso demoraria anos para acontecer novamente.
E todos foram felizes para sempre... Até o final de semana seguinte.
Dois convites no mesmo dia: aniversário de uma neta da amiga da minha mãe e jantar japonês com um casal de amigos. Os horários permitiram conciliar as duas coisas, nesta ordem. A idéia era levar Luna no jantar, pois, tirando o fato dela querer colocar na boca tudo que estivéssemos comendo, poderia ser um passeio bem tranqüilo.
E nesta noite dois fatores influenciaram o meu distanciamento de Luna até o dia seguinte: os avós dela insistindo pra que deixássemos Luna com eles até o final da festa e aquele tal cansaço que bate no final da semana, sabem? E mais uma vez aconteceu o tal telefonema: Mãe, posso deixar Luna dormindo aí na sua casa e pegá-la amanhã na hora do almoço?
Estou até vendo, assim que Luna aprender a falar, ela vai pedir pra ligar pra polícia e nos denunciar por abandono de menor.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mãe e pai²

“Quando você era pequena, sua avó chegava todo dia na nossa casa ás 06h da manhã pra ficar com você enquanto eu e seu pai saíamos para trabalhar”. Esta é uma das milhares de histórias que ouvi a vida inteira sobre a participação e importância dos meus avós na minha criação.
Avôs são lindos e fofos – na maioria das vezes – mas existe um manto sagrado sobre as avós, são quase seres divinos. É claro que não precisam – na maioria das vezes – acordar de madrugada para dar de mamar, trocar a fralda, acalmar o bebê de algum pesadelo, fazer cafuné, etc; mas sempre que os filhos precisam, realizam o papel de mãe com maestria.
Sim, o Dia dos Avôs é uma forma de homenageá-los e parabenizá-los e agradecê-los por estarem sempre presentes e sempre dispostos a olhar, cuidar e amar nossos pequenos (ou grandes); mas a gente sabe que - assim como muitos “Dias de...”, Dia dos Avós é todo dia e essa gratidão tem que nos acompanhar sempre.
Quero deixar aqui , bem registradinho, o amor e o orgulho que sinto pelos avós da minha família; os meus – Dona Marlene, Seu José (que já se foi), Dona Pepita e Seu Rogélio – e os da Luna – meus pais que amo tanto, que fizeram ser o que sou hoje e que se doam e amam tanto minha pequena.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Herança de pai pra filho

Hoje, num dia tão especial pra mim e outros 30 milhões de apaixonados, me veio à cabeça algo que ouço desde pequeno e que, agora que vou ser pai, fico imaginando como será quando chegar a minha vez...

Como muitos que lêem este blog já devem saber, sou corinthiano... Daqueles que grita durante o jogo inteiro, sofre quando o time está mal, perde o ar de tanta alegria quando vencemos, chora de emoção e de tristeza, e que quando o Timão ganha, tem orgulho de vestir a camisa. Mas esse orgulho se torna ainda maior quando ele perde, pois é exatamente nas horas difíceis que um verdadeiro amante do clube do Parque São Jorge mostra sua devoção, veste a camisa e mostra pro mundo inteiro o que é fazer parte dessa nação, odiada por adversários por saberem que nunca sentirão a dor e o prazer de ser corinthiano.


Essa paixão eu herdei do meu pai, ex-jogador de futebol e que me levou ao estádio pela primeira vez quando eu tinha 11 anos, num jogo histórico pra mim, entre Corinthians e Flamengo, no Pacaembu, com vitória do nosso glorioso alvi-negro por 1 a 0, gol contra de Casagrande, ídolo da Fiel, que na época defendia as cores do time carioca, aos 35 minutos do segundo tempo.


Desde aquele dia, o espírito corinthiano só cresceu dentro de mim, vendo como aquela torcida gritava e se empolgava a cada lance do jogo, contagiando qualquer um que estivesse ali presente.


Confesso que mal vejo a hora de poder levar meu filhote ao estádio, para que possa vivenciar essa sensação tão maravilhosa e única que é ser corinthiano e torço para que aquele velho chavão de que "corinthiano nasce corinthiano" seja verdadeiro e que esse espírito guerreiro e sofredor faça parte do DNA, e seja transferido de pai pra filho, como aconteceu comigo e com tantos outros por aí...


Obrigado pai, por me transformar em mais um nesse bando de loucos... E que essa magia continue em nossa família por muitas e muitas gerações...