sexta-feira, 2 de agosto de 2013

De carona no cinema - Jumanji

Veja dicas de outros filmes que tenham participações relevantes de bebês e crianças ali no cantinho esquerdo do blog. Saiba mais sobre o projeto, aqui.
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   Aquela visão de que jogos de tabuleiro só servem para passar o tempo já foi desmistificada em muitas pesquisas. Atualmente sabemos da importância deste tipo de atividade no estímulo do raciocínio, da concentração, da memória e da atenção; de crianças e também de adultos. No RPG (Role-playing game), um tipo mundialmente conhecido de jogo coletivo, os jogadores – ou personagens – são transportados para um mundo imaginário onde todos constroem a história juntos; o objetivo final é cumprir a missão estipulada no início do jogo, mas o mais importante é a interação entre todos os envolvidos da maneira mais divertida possível. Uma das formas de interação é chamada de Live Action: os jogadores são estimulados a resolver situações-problema interpretando corporalmente os seus papéis, inclusive utilizando adereços e fantasias.

   Jumanji – um jogo de tabuleiro africano criado séculos atrás – poderia se encaixar nesta descrição se não fosse por alguns detalhes que o tornam um pouco mais exótico: os jogadores são obrigados a utilizarem seus corpos para jogar, pois o tal do mundo imaginário salta para a realidade e interage com responsáveis pelo rolar dos dados: leão, macacos endemoniados, aranhas gigantes, plantas venenosas, caçador louco e dilúvio são alguns dos “pequenos” desafios a serem enfrentados, literalmente. A clássica regra “o jogo só acaba quando alguém vence” é levada bem a sério pelos personagens, já que pra tudo voltar ao normal, eles precisam terminar a partida que começaram. Ah! A premissa de que ‘o mais importante no ato de jogar é se divertir’ passa longe para o pessoal do filme.

   Mesmo gostando muito de cinema e já tendo participado de um grupo de discussão, ao assistir um filme infantil tento não olhá-lo muito criticamente. Nesse caso, minha ideia é entrar no clima da história e deixar rolar. Acredito que críticas são sempre bem vindas e ajudam a melhorar o nível das narrativas, mas, a não ser que a história realmente não tenha sido bem desenvolvida, prefiro tentar me divertir ao invés de pensar no quanto aquele filme tem de real e coerente ou não.
E Jumanji é adrenalina e diversão na certa, para as crianças da época e para as de agora também.

 

• Dirigido por Joe Johnston
• Gênero: Fantasia, Aventura
• Nacionalidade: EUA
• Ano de produção: 1995
• Duração: 1h 47min

Sinopse
Em 1869, dois garotos apavorados enterram um baú e, cem anos depois, o filho de um empresário descobre que dentro dele há um jogo chamado Jumanji. Quando começa a jogar com uma amiga, ele logo é penalizado a ficar na floresta até que alguém tire cinco ou oito. Como na jogada seguinte ela é atacada por morcegos, em virtude de seu posicionamento no tabuleiro, o jogo é interrompido e ele imediatamente fica preso dentro de Jumanji. Mas, vinte e seis anos depois, duas crianças começam a jogar e uma acaba libertando-o. Porém, a única forma de deixar tudo como antes é terminar a partida, mas para isto é preciso achar a participante da partida de 1969. Juntos eles enfrentam perigos, que surgem a cada jogada, e enquanto o jogo se desenrola a cidade se transforma em um caos, pois animais selvagens, plantas assassinas e até um caçador de pessoas saem do tabuleiro e vão permanecer enquanto o jogo não findar.

Elenco:

Robin Williams ... Alan Parrish
Jonathan Hyde ... Van Pelt / Sam Parrish
Kirsten Dunst ... Judy Shepherd
Bradley Pierce ... Peter Shepherd
Bonnie Hunt … Sarah Whittle
Bebe Neuwirth ... Nora Shepherd
David Alan Grier ... Carl Bentley
Patricia Clarkson ... Carol Parrish
Adam Hann-Byrd ... Young Alan
Laura Bell Bundy ... Young Sarah
James Handy ... Exterminator
Gillian Barber … Mrs. Thomas
Brandon Obray ... Benjamin
Cyrus Thiedeke ... Caleb
Gary Joseph Thorup ... Billy Jessup

Curiosidades

Scarlett Johansson fez testes para a personagem Judy Shepherd.

Jumanji é baseado no livro homônimo de 1982, ilustrado e escrito por Chris Van Allsburg.
Filmado em New Hampshire, um dos poucos estados norte-americanos que não tem um zoológico.

Jumanji foi considerado um dos grandes filmes, pós Jurassic Park - Parque dos Dinossauros, a desenvolver a técnica de CGI, imagens geradas pelo computador.

Cada vez que é feita uma jogada, aparece no tabuleiro uma frase curta e rimada que indica a próxima aparição. Abaixo estão todas as frases, na ordem em que aparecem no filme:

• "À noite eles voam, é melhor correr, essas coisas com asas querem te morder."
• "Na selva você deve esperar, até um cinco ou um oito alguém tirar."
• "Uma pequena picada pode te fazer coçar, te fazer espirrar, te incomodar."
• "Fácil não vai ser esta missão. Macacos atrapalham a expedição."
• "Tem dentes afiados e gosta de comer, se quiser ser poupado é melhor correr."
• "Mais rápido do que bambu eles crescerão, tome cuidado, ou eles te pegarão."
• "O homem da Floresta escura, caça em você a criança pura."
• "Trovão não é, não seja enganado. Se ficar no caminho vai ser pisoteado."
• "Uma lei de Jumanji acaba de quebrar. Mais do que sua peça você irá voltar."
• "Todo mês, quando há lua cheia, uma enchente deixa a coisa feia."
• "Cuidado com o chão, pode ficar mole, o solo se abre e depois te engole."
• "Eu tenho uma lição a lhe ensinar, às vezes uma jogada tem que voltar."
• "Precisam de uma mão? Nós ajudaremos! Oito patas cada uma é o que nós temos."
• "Você está quase lá e pode vencer, mas bem agora o chão começa a tremer."

In the film, the role of Alan Parrish's father and that of the hunter Van Pelt are played by the same actor (Jonathan Hyde). This may be a reference to Peter Pan, since (in theatre and movie versions) the parts of Captain Hook and Wendy's father are traditionally played by the same actor.
The movie was filmed in Keene, New Hampshire. The film crew left an advertisement up on a brick wall right in the center of town for Parrish Shoes which can still be seen today.
The exterior of the Parrish shoe factory was filmed at the Hurd Mill in North Berwick, Maine. The building was once a prosperous mill that made wool products, but has been empty for many years.
When Van Pelt enters the gun store, the music playing on the radio has been modified for the Mexican release due to the fact that, at least in the U.S. release, it originally featured Mexico's national anthem. It is an infringement of Mexican law to play the anthem for commercial or mockery situations, deliberately or not, although in the U.S. Territories it is in the public domain.
Though the plot differs greatly from that of the book on which it is based, the ending of the film is very similar, in which the game is found by two other young children. In the book, the two children who find the game at the end are named Walter and Danny, the main characters from Zathura - Uma Aventura Espacial.
The Sir-Save-Alot scene was shot in Tsawwassen, BC located at 56th Street & 12th Avenue in what was the Tsawwassen Shoppers Mall. The Sir-Save-ALot store was the old Super Valu store (which was a grocery store before it closed). At the time of filming, the store was vacant, and although the exterior was repaired after the movie was shot, the store never re-opened. The mall has since been redeveloped, with Safeway being the anchor tenant. The Sir-Save-ALot/Super Valu in the old mall was along the west perimeter of the current mall, what is now a parking lot/entranceway.
Although Carl Bentley is shown to have still been an adult when Allen Parrish was a child, David Alan Grier, who plays Carl, is actually four years younger than Robin Williams, who plays the adult Allen.
When Judy and Peter finally find the Jumanji board in the attic, another old game - this time from the '60s - reads: 'PASSWORD'.
According to author Chris Van Allsburg, the word "jumanji" is Zulu for "many effects," which alludes to "the exciting consequences of the game" as mentioned in the film.

Referências:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-13970/
http://www.imdb.com/title/tt0113497/?ref_=tttr_tr_tt
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jumanji

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Uma viagem e seus múltiplos encontros

   “Filha, nossa primeira viagem de férias foi maravilhosa; você não deu um pingo de trabalho. Lembro que você detestava usar a parte de cima do biquíni, dizia que machucava o pescoço. Deixamos assim, à vontade, já que você ficava só com a parte de baixo quando íamos para o sítio do seu avô. Não foi possível viajar antes, pois estávamos construindo a nossa casa, então o foco financeiro era este. Na época você comia super mal, mas adorava o queijo coalho vendido na praia, aquecido na hora, em latas velhas com um fogaréu improvisado. No último dia da viagem havia acabado o dinheiro, não tínhamos nem pra comer: aproveitamos o café da manhã do hotel e passamos o resto do dia à base de lanches.”
Foi mais ou menos com estas palavras que, olhando as poucas fotos impressas num álbum colorido, meus pais se recordaram da primeira grande viagem de férias que fizemos em família, 24 anos atrás, ainda sem a presença do meu irmão. Aquela seria a primeira de muitas e a paixão deles pelo litoral e suas paisagens nos levariam de volta ao Nordeste mais algumas vezes. Eles sempre preservaram muito a instituição familiar e, mesmo isto sendo demonstrado de diversas formas no cotidiano, acho que essas viagens era a forma de celebrarmos o amor de estarmos juntos. 
Fica fácil concluir que não tenho sequer uma lembrança ruim das viagens, mas a minha memória não é muito confiável. Devo ter me estapeado algumas vezes com meu irmão ou fazer cara feia por não aguentar mais andar de um lugar para o outro. Isto aparece impresso. A obsessão da minha mãe pelo registro fotográfico deve ter nascido com ela e lembro que muitas das fotos durante toda a infância as viagens tirei a contragosto: eu detestava ficar parada no meio da areia olhando pra câmera, me sentia uma turista panaca. Por isso que hoje eu tento ao máximo tirar fotos “naturais” da Luna, mas confesso que “Filha, olha pra mim” já foi dito incontáveis vezes deste que a cria nasceu. Cuspi pra cima e caiu na testa, nos olhos, no nariz e na boca. 
A última vez que planejamos uma viagem dessas foi pra Natal, em 1998. Lembro que foi intenso pra mim, intensidade de menina de treze anos. Fizemos amizade com uma família e os filhos deles eram um casal de gêmeos três anos mais velhos do que eu. O menino era lindo, mas namorava e, por mais que fosse atencioso, me via como criança, porque na época eu não queria deixar de ser criança, mas outros sentimentos ainda desconhecidos começavam a aparecer. Tive que engolir aquela paixonite não correspondida de verão. Também foi intenso, porque meus pais têm o lema de ‘aproveitar o máximo que puder’, então fizemos passeios todos os dias. Depois disso, meus velhos resolveram construir uma casa no interior e a renda extra do mês novamente tinha um foco bem específico.  
Quinze anos depois, meu retorno à parte de cima do Brasil teve como destino justamente Natal. Ter a possibilidade de revisitar lugares tão lindos agora como mãe seria especial, simplesmente pela simbologia do tempo, por saber que estarei passando no mesmo lugar que passei há 15 anos com meus pais e meu irmão. Tenho aquela nostalgia boba de estar num lugar e praticamente sentir as pessoas do passado ali comigo, mesmo que uma dessas pessoas seja eu. Pra mim tem a ver com amadurecimento, com toda vida que passou por mim entre os dois momentos. 
A viagem aconteceu meio por acaso. No começo do ano ficamos sabendo que parentes portugueses do Silvio viriam visitar o Brasil e um dos destinos seria o Nordeste. Na época eu jamais imaginei que fosse ultrapassar os limites de São Paulo tão cedo, por questões econômicas mesmo, visto que ainda não havíamos terminado de quitar a dívida da casa. Mas além dos parentes da terrinha, meus dois cunhados confirmaram a viagem, e Silvio, há seis anos sem tirar férias, viu ali a oportunidade de uma experiência em família. Algumas coisas na vida podem não ter segunda chance e, depois de pesquisar preços e avaliar a situação financeira, resolvemos encarar o desafio.  
Luna tem uma prima um pouco mais velha do que ela. O encontro semanal é garantido e durante todo o dia as duas não se desgrudam. Quando meu cunhado disse que não levaria a filha na viagem, por questões que não cabem aqui, Silvio cogitou a possibilidade de também deixar Luna com os avós. Mas a ideia bateu e voltou, na mesma hora! Luna adora a praia e eu jamais tiraria dela uma experiência dessas: aprendizagem baseada na convivência, na descoberta das novidades e no prazer. Não existiam argumentos que justificassem privá-la de passar uma semana conosco. Silvio entendeu que, mesmo ela exigindo uma série de cuidados relativos à sua idade, a primogênita já possuía independência para realizar muitas das tarefas cotidianas.   
Decisão tomada, logo em seguida o turbilhão de coisas do dia-a-dia ocuparam totalmente minha atenção e a viagem foi deixada de lado por um bom tempo. Mas conforme a data da partida se aproximava, fui ficando ansiosa a ponto de sentir frio na barriga quando lembrava que, em breve, iríamos fugir da rotina com uma intensidade sem precedentes, que iríamos sair da "zona de conforto" sem ter ideia do que nos esperava, porque nada do que havíamos feito até então se comparava com o que estávamos prestes a experimentar. E é claro que meus maiores receios tinham a ver com a Luna: a viagem de avião, o tempo longe de casa, a alimentação, o convívio intenso com as mesmas pessoas durante uma semana, a programação dos dias de passeio... Eu estava radiante de revisitar um lugar do qual tinha ótimas lembranças, mas a razão pela qual eu topei encarar o desafio era proporcionar à Luna a melhor experiência de férias que fosse possível. Se ela não estivesse aproveitando, nada valeria a pena. 
A fase em que a pequena está nos poupou muito espaço, já que só usa fralda noturna e come de tudo. Mas pra não correr o risco de esquecer nada de importante, fiz pesquisas e listas de tudo que precisaria levar. E mãe de primeira viagem fazendo a mala da primeira viagem da filha merece um desconto. Recebi uma leve vistoria por parte do marido que me obrigou a tirar uma coisa ali e outra aqui. Mesmo assim o processo foi bacana, pois tudo que ia sendo separado era mostrado à pequena viajante e, na medida do possível, Luna ajudava a escolher o que levaríamos.  
Acredito que não tem tanto a ver com a idade avançada, mas a minha fase de Diário de Bordo já passou, e por mais que a vontade seja de deixar registrado cada minuto daquela semana, o que me é realmente caro são as experiências que vivemos e a maneira que elas me afetaram como pessoa e nos afetaram como família.  
A viagem foi maravilhosa. Testemunhar Luna descobrindo o próprio corpo aprendendo a se movimentar na água e criando “independência” em relação a isso foi sensacional. Permitir que as férias fossem completas e deixá-la tomar um sorvete sozinha de sobremesa foi relaxante pra mim, mãe neurótica com alimentação. Viver novas experiências com pessoas que amo tanto foi marcante. 
A viagem foi maravilhosa, sem dúvidas. Mas o tal do ‘descanso’ de férias não rolou. Talvez isso acontecesse antes, quando a minha visão sobre a vida e sobre as relações eram outras, quando as preocupações das férias eram escolher o biquíni do dia, a roupa do jantar ou sorrir nas fotos pra deixar minha mãe feliz com seus registros da viagem. Desta vez eu acordava pensando no que Luna ia comer no café da manhã, no que precisava levar na bolsa quando saíssemos para conhecer uma praia distante, se eu tinha passado protetor suficiente, se naquela refeição a massinha daria conta de entretê-la à mesa, se ela comeria bem, em qual parte do passeio seu sono falaria mais alto do que poderíamos distraí-lo e ela pudesse ter uma crise de birra. Tirando os momentos que um ou outro brincava com a pequena, eu passava a maior parte do dia sem tirar os olhos dela; e isso é um colírio delicioso, mas cansa, muito! 
Por mais longe que se esteja de casa, por mais que tenha se distanciado da rotina, ninguém deixa de ser si mesmo. Nós três estávamos de férias, num lugar diferente, mas continuávamos com nossos defeitos, qualidades e com as características de cada idade (no caso da Luna). Na maior parte da viagem a mocinha foi incrível, aguentou a programação intensa, os deslocamentos, os momentos de espera, as nossas escolhas, o dormir tarde, o acordar cedo, o comer o que escolhíamos. 
Mas em alguns momentos, seu desejo por independência alternado ou misturado com a vontade de nos testar desencadearam atitudes que nos deixaram à flor da pele. Essas atitudes variavam da insistência por colo em momentos que não poderíamos pegá-la e a vontade de andar sozinha em momentos onde carregá-la era necessário. Transitavam entre querer comer sozinha, se vestir sozinha, arrumar as coisas sozinha, quando precisávamos agilizar o processo, e querer comida na boca, quando eu gostaria que comesse sozinha por estar morrendo de fome e querer comer também. A viagem foi maravilhosa, nos aproximou e em momento algum colocou à prova o que sinto pelos meus amores, mas testou limites entre mãe e filha, pai e filha e marido e mulher. Meus limites chegaram a ser ultrapassados e lidei com alguns deles de uma maneira que não acredito ser saudável e me arrependo terrivelmente. Foram dias que me fizeram perceber que o amor precisa estar sempre acima de tudo, mas que ainda precisamos nos alinhar como família. 
      Que muitas outras viagens aconteçam; talvez em outros formatos, com outros preparativos, combinados e expectativas. E que nos tragam mais fotos, descobertas e amadurecimentos.
      Ah! Antes que eu me esqueça... O famoso texto do Pedro Bial que diz “Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar!” faz todo sentido. Mas se eu pudesse dar uma dica sobre o presente seria esta: nunca, em hipótese alguma, se esqueçam de levar massinha de modelar em passeios com filhos pequenos. Elas fazem milagres à mesa!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Esta é a verdadeira descoberta...

Não importa a cama, o travesseiro... 
 

 A temperatura, a posição...

A hora, o dia...


A roupa, o sono.


 
Luna sempre (SEMPRE!) se descobre minutos depois de ser colocada na cama.

Já tentamos cobri-la com edredom de casal, prender as pontas embaixo do colchão, deitá-la numa das metades da coberta e cobri-la com a outra metade e até mesmo jogar o edredom por cima das grades da cama, de modo que o tecido nem encoste nela. Nada adiantou. Já tentamos conversar com ela inúmeras vezes, mas ela não se cobre nem quando está dormindo conosco; nesses casos a coberta vira contorcionista: fica pra cima nas pontas e pra baixo no meio.

Na hora de vesti-la pra dormir, partimos do princípio que a roupa do seu corpo será sua única proteção contra o frio durante toda a madrugada. E pra ajudar, a criatura pegou a mania de tirar as meias dormindo. Se fossem só as meias, estava de bom tamanho. Na semana passada fui até seu quarto assim que acordei e, ao olhar pra cama, vejo uma criança de meias, blusa e... Fralda. Luna tirou as calças enquanto dormia. Estava toda encolhida num canto, com as pernas geladas, mas descoberta e sem calça!

A solução foi apelar: compramos meias 3/4 (“De jogar futebol, igual do papai!”) e macacão, matando a saudade de quando a cria era pequena e esta peça era carro-chefe no armário. Pode vir com tudo inverno! Estamos descobertos, mas preparados!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

De carona no cinema - A vida secreta das abelhas

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Em 2010, quando eu ainda morava na casa dos meus pais, ia semanalmente alugar filmes na locadora da esquina. Como sempre gostei muito de cinema, cheguei ao ponto, naquela época, de pedir para a funcionária dicas de filmes, pois eu já havia assistido a todos que me interessavam.
Indo direto para a prateleira de dramas – meu gênero favorito – a moça aponta  ‘A vida secreta das abelhas’.
Assisti ao filme despretensiosamente, sem saber que ele marcaria um dos momentos mais especiais da minha vida. Na época eu já estava grávida, mas ainda não sabia o sexo do bebê. Desde o começo desejei muito que fosse um menino; mas essa vontade mudou semanas antes do ultrassom revelador.
A história do filme gira em torno da busca de uma menina (praticamente uma adolescente) pelo passado de sua mãe, morta há muitos anos; e pra isso faz uso de alguns recursos visuais que mostram a ligação entre as duas. Lily não sabe nada sobre a pessoa que a pariu, mas encontra uma foto de quando era pequena: está no colo de sua progenitora e as duas estão abraçadas, se olhando. Não sei se foi minha sensibilidade aguçada por conta da gravidez, mas absorvi aquela cena de um jeito muito especial. Lembro claramente que naquele momento, aquela foto era tudo o que eu queria pra mim; queria ter minha filha nos braços, para poder transmitir com o olhar todo amor que estivesse no peito. Luna está aí hoje e esses momento entre nós já aconteceram incontáveis vezes.

Nome original: The Secret Life of Bees
Director:  Gina Prince-Bythewood
Writers: Gina Prince-Bythewood (screenplay), Sue Monk Kidd (novel)
Gênero: Drama
Orçamento: US$ 11 000 000
Sinopse
Carolina do Sul, 1964. Lily Owens (Dakota Fanning) é uma garota de 14 anos atormentada pelas poucas lembranças que tem da mãe falecida em um trágico acidente causado por ela. Decidida a fugir da solidão e do relacionamento complicado com o pai, T. Ray (Paul Bettany), Lily foge de casa com sua empregada Rosaleen (Jennifer Hudson) e segue a única pista que pode levar ao passado de sua mãe numa pequena cidade do interior. Lá ela conhece August (Queen Latifah), a mais velha das irmãs Boatwright, dona de um tradicional apiário da cidade e que também conhece alguns segredos do passado de sua mãe.
Elenco:
Dakota Fanning ... Lily Owens
Queen Latifah ... August Boatwright
Jennifer Hudson ... Rosaleen Daise
Alicia Keys ... June Boatwright
Sophie Okonedo ... May Boatwright
Paul Bettany ... T. Ray Owens
Hilarie Burton ... Deborah Owens
Tristan Wilds ... Zach Taylor
Nate Parker ... Neil
Shondrella Avery ... Greta
Renee Ford Clark ... Doll (as Renée Clark)
Sharon Conley ... Violet (as Sharon Morris)
Nicky Buggs ... Cressie
 
Curiosidades:
Jennifer Hudson said in an interview that director Gina Prince-Bythewood had sent her to a store to get several items and while she was there, the staff and the customers verbally and racially abused her. The incident was, in fact staged by actors under Bythewood's direction in order for Hudson to get the feel of a racially tense environment, the time and setting of the film, and to help her with her characterization.
Alicia Keys learned to play the cello in 4 weeks for this part.
Referências:
http://www.imdb.com/title/tt0416212/?ref_=fn_al_tt_5
 

 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

De carona no cinema - Chocolate

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Se uma pessoa de dieta assistir Chocolate, terá duas opções: aguentar firme e dormir, para não pensar no doce, ou sair do regime e correr atrás de uma loja de ‘chocolates finos’, porque as cenas na cozinha pedem um pouco mais do que uma simples barra de chocolate ao leite da Nestlé. Eu juro que consegui sentir cheiro do cacau adocicado saindo da televisão.

Mas vamos direto ao assunto.

Um dos motivos deste filme estar no ‘De carona no cinema’ se deve à participação de Anouk, filha da personagem principal. Fui pesquisar o significado do da palavra indígena e encontrei ‘ursa prenha’ em várias fontes. Sinceramente, não sei o que uma coisa tem a ver com a outra; não encontrei nada falando sobre a escolha do nome da menina. Ela protagoniza algumas poucas cenas, mas revela nestas cenas uma característica que não tenho visto mais nas crianças de hoje: possui um amigo imaginário e precisa defendê-lo do restante das crianças da cidade onde mora. Ela também participa de uma cena importante: cansada de estar sempre mudando de cidade e sem conseguir criar laços duradouros por conta disso, Anouk demonstra grande resistência quando a inevitável mudança se apresenta novamente. Esta típica – e justificável - ação de teimosia da criança causa impacto no restante do filme.

Temos também algumas cenas com um menino que possui um dom muito especial: este dom o ajuda a se aproximar de sua avó e assim fazer sua mãe ver a vida com outros olhos.

Meu marido diz que eu uso muito a palavra ‘lindo’ pra definir coisas que gosto, e dessa vez não será diferente: Chocolate é um filme lindo! Eu prefiro dramas complexos e roteiros com idas e vindas, portanto este filme cai melhor para aqueles dias onde você quer relaxar e ver uma história mais leve, mesmo com uma pitada de drama. Tem uma trama até que interessante, mas a apreciação maior é em relação à fotografia, aos cenários, à trilha musical e às cenas de chocolate, claro!

 
Título original: Chocolat
Director: Lasse Hallström
Writers: Joanne Harris (novel), Robert Nelson Jacobs (screenplay)
Ano de produção: 2000
Lançamento: 16 de fevereiro de 2001
Duração: 2h 1min 
Gênero: Comédia , Romance, Drama
Nacionalidade: Reino Unido , EUA
Orçamento: US$ 25 milhões


Sinopse

Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vá durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.

 
Elenco


Lena Olin - Josephine Muscat
Juliette Binoche - Vianne Rocher
Johnny Depp - Roux
Judi Dench - Armande Voizin
Alfred Molina - Comte de Reynaud
Peter Stormare - Serge Muscat
Leslie Caron - Madame Audel
Carrie-Anne Moss - Caroline Clairmont
Guillaume Bierot - John Wood
Father Henri - Hugh O'Conor
Didi Drou - Gaelan Connell


Curiosidades:

Johnny Depp plays guitar in this movie in three scenes, and also does on two songs on the soundtrack (the first and last tracks).

The French town of Flavigny-sur-Ozerain, where most of the movie was filmed (except for scenes on the water), does not have a chocolatier. However, it is the home of l'Abbaye de Flavigny; the abbey makes anise (and other flavored) candies that are sold worldwide in little tins decorated with flowered designs and copies of old engravings. Unfortunately, the factory does not allow visitors.

The film's three main stars are all previous nominees for Best Supporting Actress (Juliette Binoche - O Paciente Inglês, Judi Dench - Shakespeare Apaixonado, Lena Olin - Inimigos, uma História de Amor). Binoche and Dench are both winners in that category, and were both nominated for this film.

Anouk's imaginary kangaroo's name is spelled Pantoufle, not Pantouf. This is clear in the closed-captioning. Pantoufle means "slipper" in French (this makes slightly more sense in the book, where Pantoufle is a rabbit).

According to the audio commentary on the DVD, Johnny Depp doesn't like the taste of good chocolate - he prefers the cheap Easter bunny type.

Juliette Binoche went to a chocolate shop in Paris to learn how to make chocolates. Some of the chocolates she made were used in the festival scene.

Some of the extras used in the movie were from the town.

In the scene where Pere Henri is dancing, Alfred Molina was originally supposed to walk down the steps and see him. However, because he actually had a hurt toe, he just stood there instead of walking down the steps.

According to the audio commentary on the DVD, in the scene where Vianne throws her mother's ashes into the wind, telephone lines had to be digitally removed as the camera pans over the village.

Although a large portion of the film was shot in France, Johnny Depp never actually filmed any of his part there (despite his home being in France).

In several of the kitchen scenes, you see a woman's hands stirring chocolate. These are not Juliette Binoche's hands, but an extra's. Vianne's bracelet was added to make it look like her.

The man that Josephine dances with at the party is a flamenco dancer.

The boat on which Vianne and Roux have their love scene was built on a stage and then physically rocked to mimic the water. When the outside of the boat is shown after they kiss, the shadowy figures were added digitally.

Roux's boat, Reine (Queen) Tora, is named for the director's daughter Tora.

It is Johnny Depp and Juliette Binoche jumping in the water themselves (despite having stunt people). It was reportedly freezing and muddy. But in the close up shot of Juliette's face in the water, the man pulling her is not Johnny. This was shot in a water tank.

The cemetery which overlooks the town is not real and was created for the film. Also, there is no river adjacent to Flavigny.

Some of the filming in Chocolat took place at a small farm in Bruton, Somerset, UK for its "French rural feel."

Although Johnny Depp lives in France, he doesn't appear in any of the scenes shot in France. All of his scenes were filmed on set or on location in England. All of Judi Dench's scenes were filmed in England. The DVD commentary notes that her husband was very ill during the shoot, and it was important for her to be close to home.

Gwyneth Paltrow turned down the role that went to Carrie-Anne Moss.


Referências:
http://www.imdb.com/title/tt0241303/?ref_=fn_al_tt_1
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-27052/

terça-feira, 21 de maio de 2013

Realidade e imaginação

Faz certo tempo que Luna vem desenvolvendo uma relação diferente com o brincar. Até seus dois anos, a boneca era só um objeto que ela gostava de carregar e abraçar; quando terminávamos de ler um livro, a história ficava toda dentro dele assim que era fechado; as relações familiares eram “tradicionais”: eu era a mãe, ela, a filha, Silvio era o pai e minha mãe, a avó.

De alguns meses pra cá fui notando que ela passou a criar brincadeiras e que sua imaginação começou a experimentar. Acredito que todos que estão próximos dela sempre possibilitaram ambientes onde ela tinha liberdade para se expressar, tanto em casa, como na escola ou nas casas das avós.

Aposto também que o afeto tem papel fundamental nessa “tradução do mundo real”, pois de nada adiantaria estimular o lúdico de forma automática e sem envolvimento carinhoso dos cuidadores. Por exemplo: faz algumas semanas que Luna resolveu inverter os papéis: agora ela é a mamãe e nós somos seus filhos. Ela sempre foi muito carinhosa, mas a maneira como se comporta quando está no papel de mãe me espantou desde o começo: é um abraçar e beijar constante, sempre pede que deitemos e nos nina com músicas e afagos. Acho que isso só acontece, pois ela vivencia este tipo de relação desde que nasceu; ela imita gestos e comportamentos que são comuns no seu dia-a-dia e que já estão internalizados. “O que dá vida à criação e ao brincar infantil é o mundo interno de desejos e sentimentos da criança.”

Outra situação recorrente em casa é a transposição do livro para as brincadeiras em família. Sempre lemos histórias diversas, alguns clássicos conhecidos e outras de autores novos. Mas desde o começo Luna se encantou – se esta for mesmo a palavra certa – pela personagem do Lobo Mau. Quando sentávamos na cama pra ler, o primeiro livro que pegava era Os Três Porquinhos. Como em casa não sabemos contar uma história sem “entrar nas personagens”, acabamos dando certa vida a todos eles, inclusive ao vilão: a voz é grossa e os sopros nas portas fazem voar os cabelos de Luna. E eis que a pequena começou a falar no assunto, mesmo quando estávamos entretidos com outra coisa. Primeiro apontava todo canto escuro dizendo que o “lobo” estava ali; não tinha um tom de medo na voz, mas a lembrança era constante. E a saída foi explicar que o tal do Lobo Mau mora somente nas histórias; que nas florestas temos os lobos, mas aí é diferente. De uns tempos pra cá, ela começou a lidar com a história de outro jeito, agora ela era o peludo: olha pra gente com cara de brava, mostrando as “presas”; “garras” na frente do corpo. E foi natural, não uma sugestão nossa. A gente, claro, entra na brincadeira. Segundo a Dra. Vanda Cristina Moro Minini, os “temores de uma figura imaginária amedrontadora, formada em sua mente a partir de seus próprios impulsos e sentimentos, podem ser enfrentados em uma brincadeira de monstros e fantasmas”.
Recentemente a menina com a capa vermelha também entrou na lista das histórias preferidas, e novamente o lobão voltou a aparecer. Outra coisa interessante que a Dra. Vanda diz é que, “embora no faz de conta exista a fantasia e a imaginação, ela só se torna presente por que existem elementos da realidade circundante, que é decisiva para o surgimento da brincadeira.” Ou seja, as histórias são fantasia, mas como os livros (com figuras) - no caso de Os Três Porquinhos – e o teatro – no caso de Chapeuzinho Vermelho - existem no mundo real, Luna não sabia se aquilo existia mesmo ou se era fantasia; e agora, que está começando a compreender, acabou “entrando na personagem”.   
              
Da mesma forma que me preocupo muito em criar ambientes lúdicos e passar o maior tempo possível com Luna realizando atividades construtivas, sei que preciso praticar intensamente o exercício do desapego e deixar a cria brincar sozinha; não sei direito lidar com essa necessidade das crianças e fico achando que ainda preciso estar o tempo todo junto. Estou tentando, estou tentando... Mas às vezes acontece sem querer: eu e Silvio precisamos cuidar da casa ou trabalhar e Luna acaba tendo que ficar brincando uns minutinhos sem nossa participação na sala ou no quarto. E em momentos como estes percebo que ela cria situações onde se expressa através de seus brinquedos; sinto que ali ela reflete através de bonecas, carrinhos e outros objetos, diferentes experiência que já teve com o mundo e com seus próprios sentimento e pensamento; fala muito sozinha e com seus brinquedos; e assim cria novos elementos, constrói novas realidades a partir de suas necessidades. Ali ela pode ser quem ou o que quiser.

Aurélia Regina de Souza Honorato diz que “mesmo que uma vivência seja fantasiosa, o sentimento que ela traz é da realidade. São os sentimentos influenciando a imaginação e a imaginação influenciando os sentimentos”. Concordo plenamente!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Atenção, aceitação, apreciação, afeto e autorização


Ele veio numa terça-feira à noite, no meio de uma brincadeira. Foi falado de forma simples, colado à frase “Pega o pente?”. O tom de voz era como de alguém que conta o que comeu no almoço. Foi dito enquanto eu tentava me levantar, de costas pra ela.

Meu primeiro “Te amo, mamãe”. Assim, espontâneo.

Duvidando da capacidade da minha filha em expressar sentimentos, na hora eu achei que tivesse ouvido errado e tive a pior reação que alguém poderia ter ao ser presenteado com uma demonstração de sentimentos tão grande: disse que não tinha entendido e perguntei o que ela havia dito. Foi nessa hora que Luna chegou perto e sussurrou novamente no meu ouvido as palavras que temos dirigido a ela há tanto tempo.

A tal da reação histérica define bem meu estado. E só tenho certeza de que não assustou a pequena, pois o “Te Amo” voltou a aparecer outra vez naquela noite.

Sempre me perguntei em qual momento da vida a expressão do amor (verbalmente falando) começava a fazer sentido para as crianças. Eu tentava descobrir como explicar o que significavam aquelas palavras quando eram dirigidas a minha filha. Sabia que um dia isso aconteceria, que um dia eu ouviria dela o som mais doce do mundo; mas tão cedo assim?! Se muitas vezes nós adultos confundimos sentimentos e expressões, o que dizer de alguém que tem contato com este mundo há tão pouco tempo? Cada dia mais temos que deixar de subestimar os pequenos no que diz respeito à inteligência e esperteza, e neste dia tive a prova de que precisamos acreditar na sua capacidade de sentir e demonstrar.

Mas fico pensando se o gesto da Luna foi realmente gratuito. Já ouvi teorias de que toda criança ama sua mãe, no matter what; que a mãe sempre vai ser a pessoa que a criança deseja que esteja junto, que a conforte.

Descobri uma “teoria” mais interessante e que faz muito mais sentido pra mim. Segundo o psicólogo David Richo, “Nós nos sentimos amados quando recebemos atenção, aceitação, apreciação, afeto e quando nos é permitido ter a liberdade para viver de acordo com as nossas necessidades e desejos mais profundos (autorização); os cinco ‘as’ que tornam as palavras ‘eu te amo’, verdadeiras”.

Daria pra discorrer sobre cada um desses ‘as’, mas não vem ao caso agora. Só sei que, se isso for mesmo verdade, acho que estamos possibilitando que Luna se desenvolva de uma maneira saudável e feliz; podendo assim demonstrar seu amor com espontaneidade.